Portal Maçônico




 

( * ) Irm. Antonio Carlos de Souza Godoi é
Advogado - Consultor de Empresas
Recursos Humanos Comerciante


A:.R:.L:.S:. Nove de Abril de Mogi Guaçu
Or:. de Mogi Guaçu–SP

Este trabalho destinou-se ao Consistório P:.R:.S:. Paulo M. de Carvalho Região de
Itapira – SP

 

 

 

 

 

 

SÃO ÁRDUOS OS CAMINHOS
DO HOMEM


Irm Antonio Carlos de Souza Godoi
( * )

Se levarmos em conta a idade da Humanidade é inegável a conclusão de que os árduos caminhos que levam à Paz têm sido trilhados muito lentamente. Tristemente damo-nos conta de que, no alvorecer de um novo milênio, dois conflitos mundiais de trágicas proporções – as duas Guerras Mundiais – sem levar em conta todos os demais conflitos de menores proporções que as vêm sucedendo desde então, mas igualmente trágicos para o Homem, foram insuficientes para que pudéssemos construir um patrimônio de experiência humana no sentido de que os povos projetassem esforços realmente sinceros na construção do próprio ser humano e da paz social.

Esquecemo-nos, nós Homens, de que a Paz, em qualquer de suas múltiplas facetas, é construída pelos caminhos já de muito esquecidos e abandonados da Compreensão, da Tolerância, da Renúncia, do Amor Fraterno, esse conjunto univérsico de virtudes que representam o carisma do Homem Integral e do qual brotam todos os atos externos daquele que é verdadeiramente grande, que assume uma atitude de eterno aprendiz e não se considera mestre de ninguém.

Um velho ensinamento judaico já dizia que o Homem pode ter tanto a terra quanto o céu sob os seus pés, o que equivale a dizer que ele tem a força e sabedoria suficientes para construir tanto o Bem quanto o Mal. Lamentavelmente, ele raramente se detém a refletir que não é uma criatura definitiva, pois só é completo nos demais, é essencialmente um ser para os demais, um ser em relação que depende dos demais e para eles foi criado.

É fundamental que recobremos a consciência de que os caminhos que trilhamos podem nos levar ao caos final e o que sobrar da Humanidade, então, trará inevitavelmente as marcas da dor e o amargo da derrota final.

Assim, pois, todos nós devemos, em especial os Maçons,que têm a missão da salvaguarda da Humanidade, movidos por sadio egoísmo reconquistar a paz interior através da libertação dos espíritos, pelo desenvolvimento da auto-crítica, do auto-controle, pelo conhecimento objetivo de nossas capacidades e limitações, pelo realismo sereno de nossas ambições, pela compreensão e pela tolerância sábias das diferenças entre os seres humanos, por um senso mais apurado de justiça social; e não para, necessariamente, ajudar os outros mas para respeitar nos outros o que é realmente deles, a começar pela Liberdade, por uma implantação mais inteligente e amadurecida da magnanimidade em nossos corações, por uma crença mais viva no Ser Supremo, a quem reverenciamos como o Grande Arquiteto do Universo, Aquele que não está eivado das mesquinhas e ridículas discriminações e preconceitos tão próprios de nossa espécie.

Em paralelo com a conquista dessa inefável Paz Interior, é imperativo que façamos, nós Maçons, o que é preciso ser feito sem jamais nos eximirmos da responsabilidade que nos cabe no tocante à solução dos três grandes grupos antagônicos da paz entre os Homens: o conflito gerado pela ambição desmedida pelo poder e que se manifesta especialmente na Política e na politicagem dentro das instituições tanto quanto entre elas; o conflito gerado pela ambição desmedida de liberdade e que se manifesta particularmente no choque entre as gerações e de forma fundamental no seio da família, esquecidos os conflitantes de que não existe liberdade verdadeira sem lei; e o conflito provocado pela ambição desmedida por riquezas materiais e que se manifesta na injustiça com que se impede, em todos os agrupamentos sociais, desde a menor das estruturas até o ambiente internacional, que os mais fracos e menos favorecidos possam desfrutar com dignidade daquilo que, sendo de todos por herança divina, é usufruído abusivamente por alguns poucos.

Mas, não podemos nos esquecer, no desempenho dessa missão divina,que de nada adiantará tentarmos persuadir os espíritos se não convencermos também os corações. Devemos procurar mostrar ao Homem que ele é um canal para os seus irmãos universais e o canal só cumpre sua finalidade quando está ligado à fonte e permite que as águas desta fluam livremente através de sí.

É preciso que nós, Maçons, exercitemos em larga escala o processo da educação construtiva do Homem para o espírito de paz pois fazê-lo é como evangelizar, transformando pelo seu influxo a Humanidade a partir de dentro. Mas, a começar sempre da pessoa e fazendo continuamente um apelo às relações das pessoas entre sí e com os princípios, valores e crenças por elas adotados, formando as opiniões e criando mentalidades orientadas no sentido da convivência pacífica, superando considerações parciais e unilaterais, removendo pré-julgamentos e criando, ao invés, o espírito da compreensão e recíproca solidariedade para que haja a aceitação da lógica da convivência pacífica na diversidade.

Tudo isso devemos fazer para levar o Homem na direção da busca do conhecimento sobre si mesmo e para sua interiorização, pois se assim ele não o fizer, como diz Lao-Tzú, no Tao Te King: ele poderá ver todas as coisas sem nada compreender, assim como um analfabeto pode folhear os maiores livros da Humanidade sem entender coisa alguma.

Trabalhemos, pois, para que consigamos fazer do mundo o Jardim da Paz que o Ser Supremo nos doou e o cultivemos com Amor e Sabedoria, não colocando a felicidade em terras distantes ou em tarefas exageradas pela lente de aumento da imaginação. Que façamos bem as pequenas coisas até que possamos realizar as grandes e que possamos, finalmente, compreender que a felicidade é uma jornada, não um destino.

E enquanto cultivamos esse jardim, preparemos a seara do espírito. Para educarmo-nos, não fiquemos dependendo só dos outros. Sigamos nossas inclinações sadias com toda a coragem, satisfazendo a curiosidade que o próprio Deus imprimiu em nosso espírito, dando expressão a nós mesmos e criando nossa própria harmonia. E que compreendamos que a felicidade não vem da imitação e nem da conformidade. A educação, assim como a felicidade, é coisa individual; tem que vir-nos da vida e de nós mesmos. Não há outra fonte e cada peregrino deste mundo abre sua própria senda. Como disse Chamfort: a felicidade não é encontrada facilmente; difícil achá-la em nós mesmos e quase impossível achá-la nos outros.

Cada idade tem a sua característica. Brincar é a efervescência da infância; o amor é o vinho da mocidade; a compreensão é o alívio da velhice. Que aprendamos, pois, a cada dia mais alguma coisa pois só sabemos o que sabemos mas não sabemos ainda, necessariamente, o que os outros sabem. Enriqueçamo-nos, então, com eles.

Quando conseguirmos afastar, finalmente, de nós a mesquinhez e tivermos aprendido a honrar a Verdade ainda quando ela se inclina na direção contrária aos nossos desejos, aí então estaremos preparados para ser discípulos dos Espíritos Iluminados. E conquanto não vejamos nisso o ardente delírio da mocidade, certamente poderemos conhecer a duradoura e suave felicidade que o tempo não destrói.

Por meio da compreensão que sejamos, pois, de todas as idades e aptos a sentir as alegrias de todas as idades, conscientes de que a Vida é um continuum, em todos os sentidos e que o passado culmina no Aqui e Agora, com o futuro também contido nele. E que não nos esqueçamos, jamais, de que viver o Aqui e Agora plenamente é tudo pois nele está implícito o sentido da Vida.