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Assunto |
Alguns irmãos contestam-me quando digo que... |
De |
Getulio Medeiros |
Para |
Unidos pela Maçonaria Samaúma Online |
Enviados |
6 de agosto de 2011 - 7 00 h |
Getulio Medeiros
Retificado as 16;45 h por solicitação do Autor
Alguns irmãos contestam-me quando digo que Maçonaria não é associação secreta, mas Ordem Iniciática com doutrina específica e esotérica. Como específica, a Maçonaria busca resgatar no Homem seu espírito humano, à semelhança do Ser Supremo; e quanto ao seu modo esotérico, a Maçonaria vale-se de seu imenso simbolismo na consecução de seu projeto específico.
Nesse contexto da simbologia maçônica, vale ressaltar o que afirmara o templário Fernando Pessoa (“Meu Irmão, se tu és maçom, eu sou mais do que maço, eu sou templário”, segundo suas próprias palavras): “Todos os símbolos e ritos dirigem-se, não à inteligência discursiva e racional, mas à inteligência analógica. Por isso não há absurdo em se dizer que, ainda que se quisesse revelar claramente o oculto, se não poderia revelar, por não haver pra ele palavras com que se diga. O símbolo é naturalmente a linguagem das verdades superiores à nossa inteligência (...)”.
O psicólogo Carl Jung, dissertando sobre simbolismo de modo geral, frisou em tom de lamentação: "O homem moderno não entende o quanto o seu 'racionalismo' (que lhe destruiu a capacidade para reagir a ideias e símbolos) o deixou à mercê do 'submundo' psíquico. Libertou-se das 'superstições' (ou pelo menos pensa tê-lo feito), mas neste processo perdeu seus valores espirituais em escala positivamente alarmante. Suas tradições morais e espirituais desintegraram-se e, por isto, paga agora um alto preço em termos de desorientação e dissociação universais".
Desprezado hoje, o simbolismo foi determinante para as culturas primitivas perpetuarem o conhecimento das coisas espirituais e terrenas. Nesse aspecto, são esparsas as manifestações simbólicas, tendo ficado em obras imortais (o sorriso de Mona Lisa e livros infanto-juvenis escritos por autores iniciados no puro esoterismo), na Igreja Católica (a comunhão é ato altamente simbólico) e na Maçonaria Simbólica.
A importância do simbolismo na longuíssima senda em busca da Verdade resume-se no badalado segredo maçônico. O problema para o maçom mediano é que o verdadeiro segredo consiste na vivência maçônica; e não se encontrando gravado em ritual ou livro, a comunicação, torna-se difícil ou até mesmo impossível sua compreensão.
No ritual de passagem das sociedades primitivas, estendendo-se até a Maçonaria atual, faz-se necessário morrer para alcançar a vida eterna. Infelizmente, nossa compreensão estreita-se em relação ao modo ocidental de vermos as coisas do ponto de vista meramente material, sem qualquer preocupação com o espiritual (mesmo não tendo que ser necessariamente confessional).
A palavra “símbolo” (em grego, σύμβολο, significando “encontro”), nessa acepção, promove nosso encontro com determinados processos arquetípicos, mediante a utilização de imagens, sinais, gestos, palavras, sons, cores, dentre outras manifestações visuais ao alcance da nossa visão e percepção.
Para acedermos ao primeiro grau maçônico, temos que prestar atenção ao simbolismo ali presente, principalmente ao fato de que a vida profana é produto humano. Sob o olhar iniciático, o noviço precisa entender que a vida tem origem no supernatural, pois é através dessa nova vida que se reestabelecem os laços com o Supremo Senhor dos Mundos (ou qualquer denominação equivalente).
Conclusivamente, deduzimos ser o simbolismo algo inatingível e perene, pois é meio e não fim em si mesmo para construirmos, através de estudo e pesquisa, a via adequada ao encontro da Verdadeira Luz. |