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NUMEROLOGIA E CABALA

 

Assunto

NUMEROLOGIA E CABALA

De

Getulio Medeiros

Para

Unidos pela Maçonaria

Enviados

domingo, 7 de agosto de 2011 23:10

 

 

 

8 de agosto de 2011
Getulio Medeiros
publicado em Unidos pela Maçonaria.

 

 

No grau iniciático, é apresentada ao noviço, de modo quase imperceptível, a ciência dos números sob o ângulo cabalístico. Essa ciência denomina-se numerologia para diferenciar da matemática, sendo esta ciência exata e aquela, mística. Em resumo, a numerologia é sistema místico que busca a possibilidade de os números traduzirem as forças espirituais que influenciam o relacionamento intrínseco entre nossas vidas e o mundo material.

Acontece, no entanto, que a significação oculta dos números e de sua influência no caráter e no destino das pessoas somente pode ser aferida no contexto numérico da linguagem divina. Essa se perdeu quando ocorreu o incêndio da grande biblioteca de Alexandria, no Egito, juntamente com inúmeras obras de altíssimo valor para o ser humano, a exemplo de tratados sobre a alquimia e a magia. Supõe-se que na biblioteca, encontrava-se prova do elo entre os magos caldeus e o exótico Reino de Ofir, citado na bíblia judaica.

Não é de se estranhar que, ajudado por Moisés, príncipe egípcio, que por certo tivera acesso aos livros constantes do acervo daquela biblioteca, os hebreus passaram de pastores nômades a detentores de poderes místicos a ponto de influenciar as principais religiões monoteístas em nosso planeta. O próprio nome de Israel seria, assim, uma sigla baseada na numerologia, utilizando-se das iniciais dos patriarcas e matriarcas hebraicos: Isaque e Jacó (י), Sara, (ש), Rebeca e Raquel (ר), Abraão (א) e Lea (ל). Observe que a escrita hebraica, de igual forma que a árabe, é grafada da direita para a esquerda.

Perdida no tempo e espaço, a linguagem primitiva sagrada incorporou-se em parte à língua egípcia (cabala egípcia), tendo influenciado as línguas hebraica, aramaica, arábica, etc. Os povos primitivos acreditavam que a numerologia compunha-se de vasto quadro de cálculos esotéricos, o que em tese permitia ter conhecimento mais profundo das leis e dos fenômenos espirituais.

Enquanto processo esotérico e oracular, a numerologia era praticada sem qualquer reserva pelos primeiros matemáticos, já que era considerado ramo científico, tendo posteriormente evoluído e se separado da matemática, da mesma forma que a astrologia separou-se da astronomia e a química, da alquimia.

Segundo o pitagorismo (o fundador dessa escola filosófica foi Pitágoras de Samos), o princípio essencial constitutivo de todas as coisas é o número, ou melhor, as relações matemáticas. Nesse contexto, considera-se o número o elemento de união entre dois ou mais elementos, sendo tudo regulado por relações numéricas precisas.

Embora considerada prática que violava a doutrina cristão oficial no Primeiro Conselho de Niceia (325 d.C.), da mesma forma que a astrologia, São Agostinho, egrégio filósofo e teólogo nos primórdios do cristianismo, não somente a defendeu, mas fez-lhe a seguinte defesa: “os números são a linguagem universal oferecida por Deus à humanidade como instrumento de confirmação das verdades (terrenas como espirituais)”.

Como Pitágoras, São Agostinho também acreditava que tudo possuía relação numérica entre si, e que a mente humana podia, através de cálculos numéricos, investigar os segredos das coisas e até mesmo os mistérios da obra do Grande Arquiteto do Universo. Da mesma forma que diversas organizações místicas e/ou iniciáticas, a Ordem Real também buscou reviver a partir do séc. XVII os ensinamentos numerológicos, com vistas à reunificação dos saberes místicos ancestrais.

Aprendemos em nossos rituais que o número 1 representa a unidade. Representa também o Pai: “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor (Deuteronômio, 6:4). O número 1 é o princípio dos números que existe por outros números. É representado astronomicamente pelo “ponto”.

O número 2 representa a divisão, a dúvida e o contrário (2 +2 = 4 2 x 2 =4). Esse visível antagonismo somente cessa com a adição de uma terceira unidade. A soma de dois pontos forma uma “linha”.

A divina perfeição é representada pelo número 3, consistente no Pai, Filho e Espírito Santo. Há três qualidades de universo: tempo, espaço e matéria. A existência, com exclusão da divina, requer essas três qualidades. Juntando as três linhas, teremos o “triângulo”.

O completamento material é atingido pelo número 4, que é o ajuntamento de dois triângulos, mas esse será tema de outro artigo concernente aos solstícios e equinócios, cuja passagem pela linha do equador em direção aos polos, gravam nos céus o tetragrama sagrado, o nome inefável que não se pode pronunciar e cuja letra inicial (י = iode) acha-se inserido no delta sagrado exposto no oriente do templo.