Por Thales Galhardo.
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CONTINUAÇÃO DOS TEXTOS SOBRE ESTUDOS ESOTÉRICOS.
SOCIEDADE ARCANUM.
2.1. Transcrição e Tradução.
O hebraico é o idioma bíblico por excelência, todavia foi a Bíblia escrita, originalmente, em três idiomas: Eclesiastes, o Primeiro Livro dos Macabeus, o Livro de Judite, partes de Daniel e o de Éster que foi escrito em hebraico; sobre Tobias e São Mateus alguns especialistas ainda divergem. Em aramaico fora escritos partes de Daniel, de Esdras, de Jeremias e o Evangelho de São Mateus. Finalmente, temos em grego todos os livros do Novo Testamento (com exceção o Evangelho de São Mateus); do Antigo Testamento, temos também em grego, os Livros da Sabedoria e o Segundo São Mateus. Os textos bíblicos de hoje são traduções e versões de cópias desses textos que depois passaram para o latim e finalmente para as línguas modernas. É bom lembrar que ao tempo de Jesus o hebraico já era uma língua morta e os contemporâneos de Jesus não entendiam as leituras feitas nas Sinagogas, a não ser depois de vertidas para o aramaico. Já naquela época as palavras e frases hebraicas perdiam muito de sua força e sentido quando transladadas para o aramaico.
Em 1611 foi publicada a Versão Inglesa, por ordem do Rei James I, feita por 47 religiosos da época que suplantou as versões de Wycliffe, de 1380. As versões chamam a atenção por suas quantidades: A versão de Tyndale (Novo Testamento), de 1525; a versão de Miles Coverdale, de 1535; a de Matthew, 1537; a de Taverner, 1539; a de Cranmer, A Grande Bíblia, de 1539; a Bíblia de Genebra de 1560; a Bíblia dos Bispos, de 1568, e a Bíblia de Douai de 1610. É importante observar que todas as versões (ou traduções) derivam de manuscritos hebraicos, dos quais nenhum era anterior ao ano 1000 d. C., e de cópias gregas derivadas da Grande Versão dos Setenta, (parte do Velho Testamento) feita do hebraico para o grego, por 72 judeus de Alexandria, na época de Ptolomeu Filadelfo, aproximadamente, no ano 258 a. C. Outras versões feitas na língua peshito (siríaca) do segundo século, da nossa era, também foram observadas além de outras versões latinas retiradas da Septuaginta, no segundo ou terceiro século, notadamente, a cópia ítala e uma posterior, a conhecida Vulgata (atribuída ao padre Jerônimo, que a escreveu por volta do ano 383 d. C.).
Os originais do Velho Testamento estavam em hebraico e teria sido aperfeiçoado por Esdras e Neemias, 440 a. C. O atual Velho Testamento foi revisto e completado em 1885, quatro anos depois da revisão do Novo Testamento. O Novo Testamento foi escrito, primeiramente, em grego, com a possível exceção do Evangelho de São Mateus. As Mais antigas Bíblias gregas datam de 400 ou 300 d. C., são os Manuscritos do Vaticano, os Sinaíticos (que estão em São Petersburgo) e o Códice Alexandrino (no Museu Britânico) levado para Londres em 1628, após a versão autorizada de 1611.
As doutrinas e ensinamentos transmitidos por Jesus foram escritos por vários sábios em épocas diferentes. Esses autores eram orientais e o público alvo também. Muitos seguidores tendem a ver na Bíblia Sagrada, hábitos e costumes ocidentais ao invés de interpretá-los do ponto de vista oriental.
Outra preocupação foi essas versões transcritas e traduzidas das línguas semíticas para o grego e o latim, e que, posteriormente, foram adaptadas para as línguas modernas, que por sua vez foram submetidas a algumas revisões ao longo da história. As traduções sempre estão sujeitas a polêmicas quanto aos significados exatos.
Devemos observar que o conjunto formado pela fonética, pela morfologia e semântica de uma língua, nem sempre corresponde ao de outra língua, e principalmente, nas línguas antigas originárias de troncos lingüísticos totalmente diferentes das línguas modernas. É comum em todas as línguas o processo de alteração semântica como já foi visto no exemplo do termo EUAGGELIUM. São observadas, também, as mudanças fonéticas nas vocalizações e consonantismo (lingüística histórica) além da carga sociocultural de um povo que poderá influenciar ou alterar, parcial ou totalmente, o significado de muitas palavras no rumo de uma tradução (ou versão). Como exemplo mais próximo no tempo, imaginemos o que se somou e se misturou ao arcabouço lingüístico da Península Ibérica e restante da Europa durante o Império Romano. E, posteriormente, com a invasão dos mouros durante os séculos VIII, IX e X da nossa era, antes mesmo de Portugal existir como nação! Agora pergunto: será que os sentidos: natural (ou material), simbólico e espiritual, contidos nas palavras de Jesus, em sua língua aramaico, estão, literalmente traduzidas hoje, para as línguas modernas, guardando o pleno sentido daquela época? Será que para todas as palavras existem correspondências e sinônimos perfeitos daquela língua para as línguas de hoje?
2.2. O Motivo das Perdas.
Quem teria o interesse de subtrair da Grande Bíblia alguns livros como o Livro de JASHER ou o Livro de ENOCH que deveriam estar no Velho Testamento? Certamente, esses livros revelam mistérios não interessantes como a origem da CABALA em ENOCH ou o simbolismo dos nomes bíblicos em JASHER. Enquanto a CABALA revela na Árvore da Vida, nas SHEPHIROTS, um dos mais sublimes ensinamentos do ocultismo e em JASHER encontramos as palavras sagradas de diversos ritos esotéricos, com uma grande riqueza simbólica e muitas são verdadeiros mântrans usados em cerimônias nas Lojas. JASHER, em hebraico, quer dizer: “O Justo”, e ENOCH “O Civilizado”. Os conteúdos desses livros só chegaram até nós, graças às Ordens Secretas e aos pesquisadores comprometidos com a história e o esoterismo. No Velho Testamento os nomes, próprios, ainda guardam esses sentidos, mas os nomes contidos no Novo Testamento são quase todos latinizados e ainda muitas palavras são de origens gregas, tiradas de seitas pagãs e não contém significados ou sentido esotérico. O caso clássico, da Bíblia, é o nome de Jesus, latinizado quando no seu verdadeiro nome em aramaico tem outras combinações fonéticas que serão vistas em breve através de um metaplasmo lingüístico.
Os ensinamentos contidos no Novo Testamento foram disseminados em outras épocas, e, somente após uma compilação dos livros, de forma definitiva, é que se obteve uma visão completa do que foi feito e o que é a Bíblia Cristã, hoje. Os primeiros tradutores, para as línguas modernas, introduziram mudanças tentando simplificar passagens obscuras e ambíguas para melhor compreensão dos leitores e seguidores. Provavelmente, não perceberam as perdas que poderiam causar. Entretanto, é um risco justificar, agora, analogamente, textos bíblicos em inglês, francês, espanhol, alemão e português referendando traduções e significados idênticos como argumento convincente, tentando provar a universalidade desses textos e seus conteúdos. Certamente, seria uma premissa duvidosa dentro do que já foi levantado, porque as traduções equivalentes são consensuais, visto que, há um interesse das religiões ocidentais em não alterar quaisquer detalhes visando preservar o que ficou de saldo, e assim, não confundir mais os seguidores da Bíblia Cristã, atual.
Nunca devemos esquecer que a Bíblia, como também, outros textos sagrados foram escritos por seres humanos e pode refletir tanto no plano histórico quanto no plano sociológico a mentalidade dos homens de uma época, portanto, é bom lembrar que devemos ser detalhistas e cuidadosos nas leituras e interpretações para que possamos extrair os ensinamentos esotéricos que ali estão velados. Outra observação importante é que Jesus nunca escreveu coisa alguma nem autorizou a quem quer que seja acrescentar palavras em suas mensagens ou ainda que fosse escrita qualquer declaração no nome dele formando um juízo de valor definitivo. A tradição oral é que foi o fiel da balança!
Por conseguinte, não precisamos ficar perplexos, diante dessa apreciação, a Bíblia atual continua sendo o livro mais secreto e ao mesmo tempo, o mais revelador quantos já se escreveram, mesmo diante de tantas perdas. As grandes verdades internas ainda permanecem ali fixadas e só quem tem a capacidade de levantar o véu vislumbrará os ensinamentos eternos. Em Deuteronômio XXIX, 29. Lemos:
“As coisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus; porém as reveladas nos pertencem, a nós e aos nossos filhos para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei”.
Observamos neste trecho uma visão esotérica e uma outra exotérica (“... as reveladas nos pertencem” – os ensinamentos exotéricos, os que todos percebem, entendem – para todos, para fora). As coisas veladas pertencem a Deus e deve ser compreendida através do esoterismo.
Diria, em primeiro plano, que a grande perda teria sido a tradução de princípios metafísicos em princípios dogmáticos e religiosos produzidos, consciente ou inconscientemente, pela Igreja Cristã primitiva. Em segundo plano, a supressão do simbolismo esotérico durante as traduções.
2.3. Um Erro de Tradução.
O Dr. H. Spenser Lewis, um dos maiores pesquisadores sobre a vida de Jesus, apresenta num de seus trabalhos um erro de tradução, de um trecho Bíblico, com textos aramaicos originais. Ele aponta para afirmação alegórica que fez Jesus – de que: “É mais difícil um rico entrar no Reino de Deus do que um camelo passar pelo olho (furo) de uma agulha”. O Dr. Lewis diz que essa afirmação foi feita diante de homens e mulheres que se dedicavam à pesca, e que tinha a ver com o conserto diário de redes rasgadas, e que uma de suas maiores esperanças era encontrar um fio forte, mas que fosse suficientemente fino para ser enfiado no olho da agulha que usavam para reparar a rede. Observa-se aí que é incoerente a referência a camelo! Dr. Lewis observou, ainda, que a palavra em sugerida tinha no discurso comum a significação de “camelo”, porém, entre os pescadores, significava corda. Ora, Jesus não estava afirmando que é impossível um rico entrar no Reino de Deus, mas que teria que deixar algo para trás. E conclui: “... que alguns dos cordames passavam pelo olho de uma agulha, porém outros deveriam ser sacrificados!”
Por essa e outras passagens devemos ter o máximo cuidado ao interpretar o simbolismo das parábolas do Mestre. A visão apurada de um estudante (esotérico) evitará o atropelamento dos ensinamentos, conseqüentemente. Ensinamentos éticos (de comportamento) aparecem misturados aos ensinamentos divinos ao longo de toda Bíblia, no Velho e no Novo Testamento.
Continua: A TERCEIRA PARTE SERÁ APRESENTADA NO MÊS DE MAIO - 2010 |