CW Leadbeater 33º
Precisamos considerar detidamente a relação com o Reino Angélico em que nos colocam estes Graus superiores, pois é assunto de máxima importância, No momento de seu Aperfeiçoamento, é ligado ao novo Soberano Príncipe da Rosa-Cruz um esplêndido Anjo carmesim, um Ser de beleza, dignidade e poder que excedem o mais dilatado alcance de nossa imaginação.
De que natureza é essa ligação, e qual será o efeito prático desta bela associação? O Anjo se liga aos princípios superiores do homem, e mais que todos, ao buddhi ou sabedoria intuitiva, e o resultado se revela presentemente de duas maneiras. A indescritível vitalidade e versatilidade da mente do Anjo atuação constantemente no corpo mental do neófito, estimulando-o à maior atividade, sugerindo novas diretrizes de pensamento e ação para benefício da humanidade, fortalecendo qualquer amor dentro dele e oferecendo-lhe sempre novos canais pelos quais flua.
Inversamente, quaisquer idéias que surjam na mente do neófito, serão logo apanhadas e intensificadas pelo Anjo, e oferecer-se-ão todas as espécies de sugestões quanto aos métodos de as pôr em prática. Mas não se pode reiterar freqüente, nem fortemente gravar no aspirante, que tudo isto acontecerá somente se ele fizer um esforço decidido para manter-se aberto à influência Angélica, somente se ele se encher de ardente amor, que é o fator comum e o traço de união entre as duas linhas de evolução, que noutros aspectos diferem tão amplamente.
Se de todo temos que compreender estes maravilhosos habitantes de um mundo superior, o qual é uma parte de nosso mundo (e é evidentemente nosso dever procurar compreende-los), necessitamos ampliar toda a nossa concepção da vida. Nos primeiros Graus, nossos estudos devem ter elevado o nosso ponto de vista e nos propiciado uma visão mais ampla do que a do homem sem instrução; mas achamo-nos ainda confinados dentro de nossa rotina humana e precisamos aprender a transcendê-la. Quando comparadas com a inconcebível realidade, nossas idéias são, quando muito, pessoais e limitadas, e até baixas e sórdidas. São boas na sua espécie, mas estão restritas a essa espécie; eficientes nalgumas direções, mas totalmente alheias à existência de outras direções de importância maior.
Os reinos da natureza estão curiosamente relacionados uns com os outros, e é extremamente difícil a mútua compreensão.
Refleti quão longínqua é a possibilidade de compreender nossa vida mesmo o mais inteligente de nossos animais domésticos. Ele nos vê sentados ou lendo durante horas a fio; como pode ter ele qualquer idéia do que estamos fazendo? A muito ampla seção de nossa existência que se estriba em nossa posse desses poderes, está completamente fora de seu alcance, e jamais lha poderemos explicar. De igual maneira, existem muitas atividades do reino angélico, que não são incompreensíveis.
Todavia, quando um desses brilhantes Espíritos é ligado a nós por uma cerimônia maçônica, não devemos imaginá-lo como sendo um diretor ou assistente, mas simplesmente um cooperador e Irmão. Está tão arraigado o nosso egocentrismo que ao ouvirmos falar de uma associação tão maravilhosa, logo imaginamos, conquanto inconscientemente, o que nós podemos lucrar com essa relação. O que podemos aprender deste resplandecente ser? Seremos guiados, aconselhados e protegidos por ele? Ou, por outro lado, é ele um servo a quem podemos mandar satisfazer nossa vontade?
É exatamente por sermos criaturas dessa espécie, por pensarmos dessa maneira, por estarmos nesse estágio da evolução, que a admissão do 18º tem de ser feita somente por convite. Uma pessoa que se ache ainda nessa condição, que podemos chamar de latente egoísmo, não está ainda preparada para ser ligada a uma radiante entidade, que ignora o que seja egoísmo.
Ali está presente um grande e poderoso Ser, de uma ordem completamente diferente da nossa, mas de certa maneira sua complementar. Se ambos pudermos trabalhar juntos, numa união tão perfeita que haja entre nós apenas uma vontade, um propósito, um pensamento - e esse é o Pensamento Divino poderemos realizar muito mais, e ser enormemente mais úteis ao Logos do que jamais o seríamos trabalhando separadamente, por estrênuos que fossem nossos esforços. Tal união faz parte do intento de Deus para conosco; se pudermos atingi-la, ser-nos-á de incrível vantagem; se, no entanto, a desejarmos com as vistas postas nessa vantagem pessoal, seremos indignos dela e malograremos na realização de nossa esperança. Devemos aceitar tão magnífica camaradagem somente por causa do benefício que ela acrescentará ao mundo. Em relação a nós, devemos ser absolutamente impessoais, esquecer-nos totalmente, e no entanto devemos estar saturados do divino e fervente amor pela humanidade.
Alguém conjeturará: "Estas coisas são demasiado elevadas para mim; quem estará capacitado para elas?" Mas se o carma coloca a oportunidade em seu caminho, é porque está dentro de suas possibilidades tal realização, ainda que isso signifique trabalho mais árduo do que o até então empreendido. E o ardente amor, que é a própria essência da vida de seu Serafim, lhe despertará cada vez mais a qualidade latente em si mesmo; e até aquilo que agora parece impossível será realizado, tornar-se-á uma parte de sua existência diária.
O 30º também atrai o seu Anjo, de caráter adequado. É um grande Deva azul do Primeiro Raio, que empresta sua força ao Cavaleiro K. H., mais ou menos como o Anjo carmezim que assiste ao Exc. e Perf. Ir. da Rosa-Cruz.
O 33º concede dois de tais esplêndidos companheiros e cooperadores. Ambos são Espíritos de tamanho gigantesco, comparados com a humanidade, e de colorido radiantemente branco. Entre os Anjos não existe sexo na acepção que damos ao vocábulo; contudo estes dois Grandes Seres diferem num sentido que se exprime melhor dizendo que um deles é predominantemente masculino e no outro prevalece o feminino. O que permanece habitualmente à direita do Soberano Inspetor Geral, tem uma aura de brilhante luz branca salpicada de ouro, e representa Osíris, o sol e a vida, o aspecto positivo da Divindade, A que permanece à esquerda tem uma aura de luz semelhante, com veias de prata, e representa Isis, a lua e a verdade, o aspecto negativo ou feminino da Glória Divina. São de um esplendor indiscutível, e radiantes de vivo amor, embora a maioria deles transmita uma sensação de irresistível, embora benevolente poder. E dão força para agir com decisão, exatidão, coragem e perseverança no plano físico.
Pertencem à ordem cósmica de Anjos, que são comuns a Outros Solaris paralelos ao nosso. Seus permanentes centros de consciência se acham no plano intuitivo; contudo, toda vez que julgam conveniente, atraem ao redor de si matéria astral e mental (como, por exemplo, em todas as cerimônias maiores da Loja), e estão sempre prontos para dar sua bênção quando quer que seja invocada. São inseparavelmente unos com o Soberano Grande Inspetor Geral, ligados ao seu Eu superior; nunca o abandonam, a não ser que por indignidade ele primeiro os abandone e afaste. Os símbolos do sol e da lua estão habitualmente representados nas manoplas do detentor dessa sublime posição, e intentam referir-se a estes grandes Poderes Angélicos, os quais se assemelham intimamente aos magnificentes membros de seu reino, que se ligam a um Bispo por ocasião da sua consagração, e daí em diante permanecem sempre ligados a ele.
Esta última frase requer um pouco mais de explicação, por ser de caráter fora de uso uma tal associação. Esta brilhante série de hostes celestes não acompanham visivelmente nem o Bispo nem o Soberano Grande Inspetor Geral, a todo o tempo, e contudo a consciência destes elevados companheiros angélicos nunca está fora de contato com a deles, embora não seja fácil explicar-se o laço.
O Anjo conserva sempre aberta uma linha de comunicação e o extremo desta linha, que se assenta na atira de seu companheiro humano, flutua ali tal qual uma estrela ou tênue ponto de luz. Se o Bispo ou o Príncipe-Maçom invocar seu amigo interno, este estará instantaneamente ali; não é, com efeito, necessário uma chamada, pois basta o mais simples brilho de um pensamento. O laço tem que ser de natureza moi notável, pois tenho pessoalmente observado que a intenção de executar qualquer ato episcopal mesmo para dar a bênção mais comum, atrai imediatamente a atenção destes nobres colaboradores, embora eu não haja de maneira nenhuma pensado conscientemente neles.
Tenho ponderado se seria uma irreverência ver no tênue ponto de luz na aura que representa o Anjo, algo de analogia, num nível infinitamente inferior, com o Habitante no Tabernáculo que é o veículo do Senhor, o Cristo. Quantas vezes tenho visto, em algumas igrejinhas da Europa Continental, a delicada chama que indica a Santa Presença. E quando alguma humilde camponesa, em sua ida ao mercado, pousa sua cesta no pórtico e se joelha para uns momentos de oração, quantas vezes vi essa chama resplandecer com uma irradiação semelhante a solar, em resposta imediata ao seu ardente pensamento de devoção! A Santa Presença nunca está ausente, mas certamente se exibe com maior intensidade em resposta a um apelo. Não será o centro de força do Anjo algo semelhante a um tênue reflexo disso?
Talvez se possa notar outra analogia nas doze estrelas que, segundo a formosa descrição contida no Apocalipse, estão tão frequentemente pintadas nos quadros medievais, circundando a cabeça da Bendita Virgem Maria. Todas elas representam poderes; talvez correspondam de certo modo aos pontos de luz que os Anjos nos deixam na aura. A Estrela sempre pairante acima da cabeça de um Iniciado significa o Poder do Rei, a que pode ele recorrer a qualquer momento, ao passo que a estrela sobre sua testa é o símbolo de seu próprio poder adquirido. |