Voltar para página principal.

 

* Maria da Glória Rosa é Professora, Educadora, Escritora, foi Presidente da Fundação de Cultura do Estado

Américo Calheiros
Escritor Professor e Teatrólogo
Membro da Academia Sul-mato-grossense de Letras

Apresentação

Maria da Glória Rosa*

Acostumada em tantos anos de magistério a decifrar o “claro enigma” das palavras, ajudando milhares de alunos a compreenderem as idéias embutidas nos signos, reveladores da riqueza da literatura nacional e mundial, a professora Maria da Glória Sá Rosa, a “nossa” Glorinha, acabou se transformando em artesã das palavras.

Criar não é fácil. O campo literário requer o domínio do conhecimento, a capacidade de reinventá-lo em estilo pessoal, investindo-o de sensibilidade, dotando-o de vida própria, de tal forma que possa correr mundo, em centenas de mãos, por variados meios, provocando emoções e renovando vidas.

Glorinha é artista da palavra. Com traquejado domínio da língua, ela, que já escreveu livros de cunho didático, que percorreu o caminho da memória cultural de Mato Grosso do Sul, em outras publicações e que navegou com especial domínio nas ondas das crônicas, agora adentra o mundo dos contos, um dos mais complexos gêneros da literatura.

Com sabor que nos faz lembrar Nelson Rodrigues, recurso delicioso que confunde realidade com ficção, narra na primeira pessoa histórias calcadas nas recordações da infância vivenciadas em Mombaça, mescladas a insólitos acontecimentos percebidos na vida adulta em Campo Grande.

Contos de Hoje e Sempre-Tecendo as palavras é sua mais recente criação.

São contos marcantes que trazem dos recônditos do imaginário coletivo, sem fronteiras, acontecimentos que ora arrepiam, ora entristecem, ora causam repulsa, ora despertam sentimentos inimagináveis, aqueles que ficam nervosamente calados nas camadas profundas do corpo mental humano.

Num contraponto permanente entre liberdade e repressão, amor e ódio, pecado e virtude, razão e loucura, as histórias transcorrem num clima de ambivalência que tem a morte como um dos principais elos a interligá-las.. A morte-descanso, a morte-suicídio, a morte-ambição, a morte-fim-de tudo, começo-de-tudo, reflexo geral das grandes tragédias da humanidade, presentes em todos os lares, em todas famílias, das mais pobres às mais burguesas, todas amarradas nos fios dos terríveis preconceitos e falsos pudores que têm massacrado milhares de vidas pelo mundo afora.

As desconcertantes personagens dos contos de Glorinha, algumas remetendo-nos ao realismo mágico de escritores latino-americano, como Gabriel Garcia Márquez, nada mais são que a representação forte, passional, eletrizante e assustadora da vida como ela é.

Foram captadas e reinventadas com perspicácia pelo olhar clinicamente correto de Glorinha.