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Marcia Carmo

The trail
to Camp 1, at 5000 meters, is visible
in the obvious notch, just to the right of center.
(Photo: Daniel Mazur)
Quase
um ano após a desvalorização do peso,
a Argentina conseguiu incrementar o turismo no país.
Mas os resultados ainda estão longe do ideal.
Neste
ano, 531 agências de turismo fecharam as portas na
Argentina. Somente outras 102 foram abertas – no ano
passado, 274 desapareceram, mas outras 332 agências
surgiram. Os dados são da Associação
Argentina de Viagens e Turismo.
O resultado
dramático de 2002 revela, segundo o presidente da
organização, Marco Palacios, que a multiplicação
de turistas, neste primeiro ano de desvalorização
do peso, não rende frutos para todo setor.
“Os
setores que antes trabalhavam preparando a viagem dos argentinos
ao exterior fecharam”, disse Palacios. “E os
que trabalham em receber os turistas estão melhorando.
Mas ainda não é o boom do turismo, já
que a maioria vem dos países vizinhos”.
Buenos
Aires barata
Na
opinião de Alberto Sosa, da agência Soles de
Argentina, está ocorrendo uma “readaptação”
do ramo do turismo no país, após o fim da
conversibilidade. “E é por isto que sou moderadamente
otimista”, diz.
“O
turismo foi favorecido em duas vertentes: internamente porque,
após a desvalorização do peso, os argentinos
não podem mais viajar ao exterior e na recepção
de estrangeiros atraídos pelo dólar valendo
quase 4 pesos”, afirma.
Em Buenos
Aires, por exemplo, um estrangeiro pode almoçar por
US$ 3 (cerca de R$ 10,80), pagar US$ 2 (aproximadamente
R$ 7,20) para ir ao cinema e outros US$ 2, dependendo do
lugar, para ter aulas de tango.
“Os
estrangeiros estão vindo fazer turismo de compras,
de aulas de tango e aproveitando para percorrer a Patagônia”,
afirma. “Mas achamos que temos capacidade para aumentar,
e muito mais, a quantidade dos estrangeiros que chegam ao
país”.
Para
o secretário nacional de Turismo, Daniel Scioli,
o turismo renasceu este ano na Argentina. “Antes,
tínhamos déficit de US$ 1 bilhão (R$
3,6 bilhões) no ano e agora já projetamos
saldo de US$ 2 bilhões”, estima.
Este
ano, o saldo estimado é de, pelo menos, US$ 1 bilhão.
Dados da Secretaria de Turismo e do Indec (Instituto Nacional
de Estatísticas e Censos) mostram que no terceiro
trimestre de 2002 (julho, agosto e setembro) houve incremento
de 28% na chegada de turistas ao país.
O
resultado é comparado ao mesmo período do
ano passado, quando a economia argentina estava baseada
na conversibilidade e Buenos Aires era apontada como uma
das cidades mais caras do mundo.
Pelos
cálculos da Secretaria, em 2003 haverá um
aumento de 25% no número de visitantes estrangeiros
frente a este ano. Se a estimativa for confirmada, 4 milhões
de turistas externos visitarão a Argentina.
Chilenos
Hoje, os chilenos são os primeiros na lista dos que
chegam ao país, seja para fazer compras ou passear.
Neste caso, o aumento de turistas chilenos (220.610 mil
até agora) representa 97,9% frente ao ano passado.
Segundo
dados de outubro (os últimos oficiais até
o momento), 90 mil turistas estrangeiros chegaram a Argentina
naquele mês.
Do
Peru, o aumento foi de 122,4% em comparação
ao mesmo mês de 2001. Da Colômbia, 84,5%, do
Equador, com moeda dolarizada, 500% e dos Estados Unidos,
18,6%.
De acordo
com a Secretaria Nacional de Turismo, quando projetados
para todo 2002, a média desses números revela
que o ano que está terminando registrou um recorde
de turistas estrangeiros no país.
“Poderíamos
estar melhor no setor de turismo interno. Mas o problema
é que a saída da conversibilidade gerou uma
situação tão dramática, com
aumento do desemprego e da incerteza, que muita gente prefere
não viajar nem mesmo dentro do país”,
afirma Alberto Sosa.
Ele
lembra que até o ano passado os argentinos eram os
principais turistas estrangeiros no Brasil. A média
era de 600 mil turistas argentinos por ano.
Hoje,
frente a aquele boom, esse turismo é quase inexistente,
mesmo com o real tendo valor semelhante ao do peso argentino.
Foi
esse um dos principais motivos que levaram ao fechamento
de agências de viagens preparadas a levar o argentino
ao exterior.
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