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do Livro "História"
Editora Ática
do mesmo autor.
( * ) Divalte Garcia Figueira
Bacharel e licenciado em História.
Mestre em história Econômica Doutorado peal universidade de São Paulo
Autor entre outros de “Cidades Históricas e barroco mineiro” “Soldados e
negociantes na
Guerra do Paraguai”
e_mail:- divalte@yahoo.com

China: entre o mercado e o autoritarismo


Prof DivalteGarcia Figueira ( * )


A morte de Mao Tse-tung em 1976 marcou simbolicamente o fim da Revolução Cultural, iniciada dez anos antes. A partir de então, o poder passou a ser disputado entre um grupo radical chefiado pela mulher de Mao, Jiang Qing, e um setor mais moderado, sob a liderança de Deng Xiaoping. Deng acabou vencendo a disputa e deu início, em fins da década de 1970, a importantes reformas econômicas, com o objetivo de introduzir a economia de mercado na China. Nessa época, foram criadas as Zonas Econômicas Especiasi (ZEE), com as quais o governo pretendia oferecer mão-de-obra barata e disciplinada, além de isenção de impostos, a investidores estrangeiros.

Desde então a produção industrial na China não parou de crescer. Segundo dados do relatório anual do FMI (1999), entre 1965 a 1997, a taxa média de expansão do PIB chinês foi de 8,5% ao ano, número superior ao de todos os outros países no mesmo período. Entre 1979 e 1997, as exportações chinesas cresceram a uma taxa de 52% ao ano, em média. As empresas estrangeiras investiram 220 bilhões de dólares e o PIB do país passou de 43 bilhões de dólares em 1979 para 904 bilhões em 1997.

Deng Xiaoping morreu em fevereiro de 1997, aos 92 anos, mas a política reformista de liberalização econômica foi mantida por seu sucessor Jiang Zemin e confirmada no 15° Congresso do partido Comunista Chinês, realizado em setembro de 1997. Nesse encontro, os líderes chineses decidiram abrir mão do monopólio estatal da propriedade dos meios de produção e anunciaram um vasto programa de privatizações.

O país tinha, então, mais de 300 mil empresas estatais, quase todas deficitárias. Apesar do gigantismo do número, as empresas geravam apenas 30% da riqueza industrial.

Essa política flexível e liberalizante no âmbito da economia estimulou grupos de oposição a se mobilizar em defesa de reformas democráticas que levassem ao fim do monopólio do poder pelo Partido Comunista.

Porém, ao contrário do que ocorreu no Leste europeu, na China a liberalização econômica não foi acompanhada de medidas de liberalização política.

Em conseqüência, o governo chinês tem reprimido sistematicamente as manifestações de oposição, o momento mais dramático desse processo ocorreu em 1989, quando milhares de estudantes ocuparam a praça da Paz Celestial, em Pequim, protestando contra a corrupção no alto escalão do regime e pedindo mais democracia. Em resposta, o Exército abriu fogo contra os manifestantes, assassinando em massa de 2 mil a 3 mil pessoas.

Os Tigres Asiáticos
Enquanto a China adotava o socialismo burocrático de Estado como modelo de desenvolvimento, três países preferiam seguir o exemplo japonês, de modernização capitalista, transformando-se em pequenas potências econômicas no decorrer da década de 1970. Eram os Tigres Asiáticos: Coréia do Sul, Taiwam (ou Formosa) e Cingapura. Ao lado desses países, também se destacava Hong Kong, território sob domínio inglês situado num dos flancos da China comunista (em 1997, Hong Kong voltou a pertencer à china).

O rápido crescimento econômico dos "tigres" foi um fenômeno surpreendente, pois eram países com poucos recursos naturais e energéticos e sem tradição industrial. Apesar disso, suas economias obtiveram, por três décadas, taxas médias de crescimento do PIB de 8% ao ano.

Os Tigres Asiáticos seguiram a receita que dera certo no Japão: forte intervenção estatal na economia, com a criação de linhas de crédito e incentivos às empresas nacionais; redução das importações estímulo às exportações; qualificação da mão-de-obra, por meio da expansão do ensino básico; manutenção de baixos salários e controle dos trabalhadores, com repressão às greves e aos sindicatos.

Além disso, alguns desses países, como Taiwan e Coréia do Sul, promoveram reformas agrárias que democratizaram a propriedade da terra, facilitando seu acesso aos pequenos camponeses. O resultado foi o barateamento dos produtos agrícolas e a elevação do nível de vida dos trabalhadores do campo, que se integraram, assim, ao mercado de consumo.

No entanto, o principal objetivo das empresas era ampliar sua participação no mercado externo. Para isso, tiveram de obter ganhos de produtividade elevando seu nível tecnológico e aprimorando seus métodos de trabalho. Desse modo, podiam produzir a preços menores e continuar disputando com sucesso o mercado internacional. Com o tempo, os salários, inicialmente baixos se elevaram. Os "tigres" chegaram a ostentar as mais altas taxas de renda per capita do Terceiro Mundo. A título de exemplo, a renda per capita da Coréia do Sul alcançou, no auge do sucesso econômico, 10 550 dólares, enquanto a da Coréia do Norte, país de socialismo estatal burocrático, não conseguia atingir, na mesma época, 3 500 dólares.

Outros países da Ásia seguiram o mesmo caminho e se tornaram os novos tigres asiáticos - Tailândia, Malásia, Indonésia e Filipinas. Mas a prosperidade dos "tigres" sofreu forte golpe em 1997, quando uma crise financeira arrasadora abalou os fundamentos desse modelo de desenvolvimento.

Os Tigres em crise
Depois de vários anos seguidos de crescimento econômico, os Tigres Asiáticos se tornaram mercados altamente lucrativos para investidores financeiros internacionais. Esses investidores procuram lucros fáceis e rápidos e retiram seus investimentos quando uma economia dá sinais de problemas. Em julho de 1997, algumas falências de empresas na Tailândia foram suficientes para que os especuladores entrassem em pânico e retirassem milhões de dólares de aplicações no mercado financeiro do país. Essa reação provocou falências e a queda vertiginosa do baht, a moeda tailandesa, que em apenas um dia perdeu 20% de seu valor em relação ao dólar.

Da Tailândia, a crise se propagou instantaneamente para os outros países da região, provocando fuga de capitais e desvalorização das moedas. Em outubro, a Blsa de Valores de Hong Kong despencou, enquanto a moeda da Indonésia sofria brutal desvalorização. O mesmo aconteceu com a Coréia do Sul em novembro.

Todos esses países tiveram de recorrer à ajuda do FMI, que injetou bilhões de dólares na região para impedir que a crise atingisse o resto do mundo.

O abalo financeiro provocou a retração do PIB dos Tigres Asiáticos, cujas economias só voltaram a crescer a partir de 1999. A Indonésia, entretanto, continuou em crise, devido à turbulência política desencadeada com a queda do presidente Suharto, em meio a grandes manifestações populares de protesto em maio de 1999.

Manifestação estudantil de protesto contra o governo na Indonésia, novembro de 1998. A Indonésia esteve sob ditadura militar durante 32 anos, entre 1966 e 1998. Durante esse período, centenas de milhares de oposicionistas foram mortos, presos e torturados pelo Exército indonésio.