Voltar para página principal.

do Livro "História"
Editora Ática
do mesmo autor.
( * ) Divalte Garcia Figueira
Bacharel e licenciado em História.
Mestre em história Econômica Doutorado peal universidade de São Paulo
Autor entre outros de “Cidades Históricas e barroco mineiro” “Soldados e
negociantes na
Guerra do Paraguai”
e_mail:- divalte@yahoo.com

 

Integrantes de milícia armada em Mogadíscio, Somália. como ocorre em outros países da África, os somais têm convivido longamente com a guerra desde a década de 1970. Boa parte desses conflitos é estimulada por empresas multinacionais interessadas nos recursos minerais do subsolo africano.

A África e sua herança.


Prof DivalteGarcia Figueira ( * )


O "consenso de Washington"
A crise levou os governos latino-americanos a adotar medidas de estabilização econômica - como o corte nos gastos públicos -, combinadas com um programa de privatização das empresas estatais. Essas providências seguiram as orientações de agências internacionais de crédito, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Tais diretrizes, por sua vez, obedeciam à política econômica definida no chamado "Consenso de Washington".

O "Consenso de Washington" foi o resultado de um encontro, realizado no início dos anos 1990 na capital dos EUA, que reuniu representantes do pensamento neoliberal, entre eles técnicos do FMI e do governo norte-americano. De acordo com os princípios estabelecidos na reunião, os países em crise só poderiam vencer suas dificuldades adotando uma política de austeridade econômica, com medidas drásticas de estabilização da moeda. Para isso, era preciso que os governos reduzissem as despesas e aumentassem as receitas - o chamado "ajuste fiscal".

Também deveriam abrir o mercado nacional às importações, estimulando a concorrência e melhorando a produtividade das empresas estatais e reduzir sensivelmente o papel do Estado na economia.

No início do ano 2000, o neoliberalismo já tinha sido adotado como programa de governo não só de nações da América Latina mas também de grande parte dos países dos demais continentes.

A África e sua herança colonial
A colonização do território por nações européias no século XIX foi justificada com o argumento de que correspondia a uma "missão civilizadora", supostamente destinada a converter "povos selvagens e atrasados" ao cristianismo e às normas civilizadas de convivência. contudo, durante os cerca de oitenta anos em que estiveram no continente africano, os europeus pouco fizeram para proporcionar aos seus habitantes as condições mínimas para uma vida digna.

Preocupadas apenas em pilhar e extrair as riquezas naturais da África, as nações colonizadoras impuseram fronteiras arbitrárias, estimularam as divisões e os conflitos tribais, sufocaram os anseios de independência, exploraram formas de trabalho semi-escravo e condenaram milhões de pessoas à ignorância e ao analfabetismo.

Assim, ao conquistar sua independência, entre as décadas de 1950 e 1960, as colônias herdaram dos europeus uma economia desprovida de infra-estrutura e de trabalhadores qualificados que pudessem servir de suporte a uma política de desenvolvimento auto-sustentado. Apesar disso, entre os que lutaram contra o colonialismo havia certo otimismo em relação ao futuro das nações africanas. esse otimismo se apoiava na abundância de matérias-primas e de fontes de energia, assim como no esforço pela união demonstrado pelos países africanos - com esse objetivo foi criada, em 1963, a Organização da Unidade Africana (OUA).

Porém, a expectativa de união não se confirmou. Além da ausência de infra-estrutura econômica, a colonização européia havia deixado uma série de outros problemas aos novos países africanos. Um dos mais graves foi a instabilidade política, causada principalmente pelas étnicas e tribais. Tais diferenças provocaram conflitos e impediram a formação de nações unificadas por uma mesma cultura e interesses comuns.

Essa realidade, que já era suficiente para colocar os novos Estados uns contra os outros, foi agravada pela disputa entre os EUA e a URSS durante a guerra fria. As duas superpotências fizeram da África um campo de luta, apoiando países antagônicos ou facções opostas dentro de um mesmo país, o que contribuiu para desestabilizar os Estados africanos.

A pobreza dos povos africanos
As freqüentes e prolongadas guerras empobreceram ainda mais os países africanos. Mas as guerras não foram o único problema. O grande cescimento demográfico, a desordem administrativa, a corrupção institucionalizada e a queda nos preços de alguns produtos primários (como cacau, café e cobre) constituíram outros fatores que agravaram a situação social do continente.

A África registrava, no ano 2000, a mais alta taxa de mortalidade infantil do planeta. No mesmo ano, dados do Relatório sobre o desenvolvimento humano da ONU, indicavam que 24 dos 25 países mais pobres do mundo eram africanos.

Com todas dificuldades, o continente africano deixou de ser atrativo para os investimentos esrangeiros. Em 1995, os países da África subsaariana (região ao sul do deserto do Saara) atraíram apenas 3% dos investimentos diretos estranjeiros que tomaram o rumo do países em desenvolvimento. No mesmo ano, a América latina e o Caribe receberam cerca de 20%. Sem capital externo, a renda per capita da África subsaariana registrou queda durante todo o período de 1980 a 1995.

Aids, o novo flagelo da África
Os primeiros casos identificados de Aids apareceram na África, no começo da década de 19801. Desde então, a doença de sisseminou rapidamente pelo mundo. de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 12 milhões de pessoas já morreram de Aids na África e há mais 22,5 milhões infectadas com o vírus HIV no continente. Isso se explica por uma série de fatores relacionados com a extrema pobreza da população - baixo nível educacional, falta de higiene, ausência de saneamento básico, acelerado ritmo de urbanização, desemprego, assistência médica insuficiente etc. Com o surgimento da Aids, a expectativa de vida dos africanos caiu verticalmente. Era de 59 anos em 1990. Estima-se que em 2005 será de apenas 45 anos.