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Prof DivalteGarcia Figueira ( * )
O "consenso
de Washington"
A
crise levou os governos latino-americanos a adotar medidas
de estabilização econômica - como o
corte nos gastos públicos -, combinadas com um programa
de privatização das empresas estatais. Essas
providências seguiram as orientações
de agências internacionais de crédito, como
o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Interamericano
de Desenvolvimento (BID). Tais diretrizes, por sua vez,
obedeciam à política econômica definida
no chamado "Consenso de Washington".
O "Consenso de Washington" foi o resultado de
um encontro, realizado no início dos anos 1990 na
capital dos EUA, que reuniu representantes do pensamento
neoliberal, entre eles técnicos do FMI e do governo
norte-americano. De acordo com os princípios estabelecidos
na reunião, os países em crise só poderiam
vencer suas dificuldades adotando uma política de
austeridade econômica, com medidas drásticas
de estabilização da moeda. Para isso, era
preciso que os governos reduzissem as despesas e aumentassem
as receitas - o chamado "ajuste fiscal".
Também deveriam abrir o mercado nacional às
importações, estimulando a concorrência
e melhorando a produtividade das empresas estatais e reduzir
sensivelmente o papel do Estado na economia.
No início do ano 2000, o neoliberalismo já
tinha sido adotado como programa de governo não só
de nações da América Latina mas também
de grande parte dos países dos demais continentes.
A África e sua herança colonial
A colonização do território por
nações européias no século XIX
foi justificada com o argumento de que correspondia a uma
"missão civilizadora", supostamente destinada
a converter "povos selvagens e atrasados" ao cristianismo
e às normas civilizadas de convivência. contudo,
durante os cerca de oitenta anos em que estiveram no continente
africano, os europeus pouco fizeram para proporcionar aos
seus habitantes as condições mínimas
para uma vida digna.
Preocupadas apenas em pilhar e extrair as riquezas naturais
da África, as nações colonizadoras
impuseram fronteiras arbitrárias, estimularam as
divisões e os conflitos tribais, sufocaram os anseios
de independência, exploraram formas de trabalho semi-escravo
e condenaram milhões de pessoas à ignorância
e ao analfabetismo.
Assim, ao conquistar sua independência, entre as décadas
de 1950 e 1960, as colônias herdaram dos europeus
uma economia desprovida de infra-estrutura e de trabalhadores
qualificados que pudessem servir de suporte a uma política
de desenvolvimento auto-sustentado. Apesar disso, entre
os que lutaram contra o colonialismo havia certo otimismo
em relação ao futuro das nações
africanas. esse otimismo se apoiava na abundância
de matérias-primas e de fontes de energia, assim
como no esforço pela união demonstrado pelos
países africanos - com esse objetivo foi criada,
em 1963, a Organização da Unidade Africana
(OUA).
Porém, a expectativa de união não se
confirmou. Além da ausência de infra-estrutura
econômica, a colonização européia
havia deixado uma série de outros problemas aos novos
países africanos. Um dos mais graves foi a instabilidade
política, causada principalmente pelas étnicas
e tribais. Tais diferenças provocaram conflitos e
impediram a formação de nações
unificadas por uma mesma cultura e interesses comuns.
Essa realidade, que já era suficiente para colocar
os novos Estados uns contra os outros, foi agravada pela
disputa entre os EUA e a URSS durante a guerra fria. As
duas superpotências fizeram da África um campo
de luta, apoiando países antagônicos ou facções
opostas dentro de um mesmo país, o que contribuiu
para desestabilizar os Estados africanos.
A
pobreza dos povos africanos
As freqüentes e prolongadas guerras empobreceram
ainda mais os países africanos. Mas as guerras não
foram o único problema. O grande cescimento demográfico,
a desordem administrativa, a corrupção institucionalizada
e a queda nos preços de alguns produtos primários
(como cacau, café e cobre) constituíram outros
fatores que agravaram a situação social do
continente.
A África registrava, no ano 2000, a mais alta taxa
de mortalidade infantil do planeta. No mesmo ano, dados
do Relatório sobre o desenvolvimento humano da ONU,
indicavam que 24 dos 25 países mais pobres do mundo
eram africanos.
Com todas dificuldades, o continente africano deixou de
ser atrativo para os investimentos esrangeiros. Em 1995,
os países da África subsaariana (região
ao sul do deserto do Saara) atraíram apenas 3% dos
investimentos diretos estranjeiros que tomaram o rumo do
países em desenvolvimento. No mesmo ano, a América
latina e o Caribe receberam cerca de 20%. Sem capital externo,
a renda per capita da África subsaariana registrou
queda durante todo o período de 1980 a 1995.
Aids,
o novo flagelo da África
Os primeiros casos identificados de Aids apareceram na África,
no começo da década de 19801. Desde então,
a doença de sisseminou rapidamente pelo mundo. de
acordo com a Organização Mundial da Saúde
(OMS), 12 milhões de pessoas já morreram de
Aids na África e há mais 22,5 milhões
infectadas com o vírus HIV no continente. Isso se
explica por uma série de fatores relacionados com
a extrema pobreza da população - baixo nível
educacional, falta de higiene, ausência de saneamento
básico, acelerado ritmo de urbanização,
desemprego, assistência médica insuficiente
etc. Com o surgimento da Aids, a expectativa de vida dos
africanos caiu verticalmente. Era de 59 anos em 1990. Estima-se
que em 2005 será de apenas 45 anos.
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