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Prof DivalteGarcia Figueira ( * )
A Guerra do Paraguai, além de contribuir
para difundir idéias republicanas e abolicionistas,
estimulou também a formação do chamado
"espírito de corpo" entre os membros do
Exército. Esse "espírito" levava-os
a pensar como grupo, ou como corporação dotada
de qualidades e valores que a colocavam acima das ambições
dos políticos profissionais, chama dos depreciativamente
por eles de "casacas".
Insatisfeitos com a política do Império, os
militares passaram a se considerar mais preparados que os
civis para cuidar dos interesses da nação.
A partir daí, nascia a idéia de "missão
salvadora" a que o Exército estaria destinado.
Sob essa óptica, soldados e oficiais deixavam de
ser meros instrumentos para garantir a segurança
da nação e tornavam-se "cidadãos
fardados", comprometidos com o futuro da pátria.
Essas idéias justificavam para eles a intervenção
militar na vida política do país.
Reforçada pelo positivismo, essa evolução
ideológica colocava setores cada vez maiores do Exército
contra a Monarquia. Esta, por sua vez, já tinha sido
abandonada também por parte da Igreja desde a Questão
Religiosa e, a partir de maio de l888, pelos donos de escravos,
em virtude da abolição sem indenização.
Na tentativa de sobreviver, em junho de l889 o governo imperial
nomeou Afonso Celso de Assis Figueiredo, um político
moderado do Partido Liberal, para o cargo de presidente
do Conselho de Ministros. Mais conhecido pelo título
de visconde de Ouro Preto, Afonso Celso apresentou a Câmara
dos Deputados um amplo programa de reformas que previa,
entre outras medidas, a liberdade religiosa, a autonomia
para as províncias, o fim do caráter vitalício
do Senado, a liberdade de ensino e o aumento de crédito
para a produção. Com essas mudanças,
Ouro Preto pretendia esvaziar a pregação republicana.
Para sua surpresa, a Câmara dos Deputados não
aprovou as reformas. Diante disso, o imperador, valendo-se
do Poder Moderador, dissolveu o Parlamento e convocou novas
eleições. Esperava obter da nova Câmara,
que deveria se reunir em 20 de novembro, aprovação
para as reformas de Ouro Preto. A essa altura, porém,
já estava em marcha uma conspiração
para depor o governo imperial e proclamar a Republica, O
principal líder da conspiração era
Benjamin Constant.
No dia 11 de novembro, Benjamin Constant, Quintino Bocaiúva
e Rui Barbosa, entre outros lideres, reuniram-se com o marechal
Deodoro da Fonseca, tentando convencê-lo a aderir
a conspiração. Com todo seu prestigio nos
meios militares, Deodoro seria a garantia de que o Exército
permaneceria unido em torno da causa republicana.
Mesmo assim, Deodoro hesitou. Enquanto isso, surgiram alguns
boatos de que sua prisão tinha sido decretada e de
que haveria profundas mudanças no Exército.
Diante dos rumores, Deodoro decidiu liderar o movimento
para depor o ministério de dom Pedro II.
Em l 5 de novembro de l889, depois de ocupar o Ministério
da Guerra com suas tropas, o marechal Deodoro da Fonseca
proclamou a Republica. Em seguida, desfilou pelo centro
da cidade a frente de seus homens. Nas ruas, a população
carioca foi surpreendida com a parada militar, sem saber
direito o que estava acontecendo.
Nascia, assim, sem participação popular, a
Republica no Brasil. Um dos lideres da conspiração,
Aristides Lobo, diria mais tarde que "o povo assistiu,
bestializado, a Proclamação da Republica".
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