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do Livro "História" Editora Ática do mesmo autor.

( * ) Divalte Garcia Figueira.
Bacharel e licenciado em História.
Mestre em História Econômica
Doutorando pela Universidade de São Paulo
Autor entre outros de “Cidades Históricas e barroco mineiro” “Soldados e negociantes na Guerra do Paraguai”
e_mail:- divalte@yahoo.com

O desenvolvimento industrial e o novo papel do Estado


.Prof. Divalte Garcia Figueira ( * )

O Brasil de Vargas
No âmbito econômico, as principais características do Estado Novo foram o impulso à industrialização, o nacionalismo, o protecionismo e a Intervenção do Estado na Economia. Assim, Vargas suspendeu o pagamento da dívida externa em 1937, mas manteve as negociações destinadas a atrair capitais externos para projetos de desenvolvimento econômico, como o da construção da primeira usina siderúrgica brasileira, instalada em Volta Redonda, Rio de Janeiro, em 1941, com o auxílio de capitais norte-americanos.
Essa política de desenvolvimento teve como elemento dinamizador a intervenção do Estado nas atividades Econômicas com a criação de Empresas Estatais diretamente ligadas à produção industrial, como a Companhia Siderúrgica Nacional de Volta Redonda (1941), a Companhia Vale do Rio Doce (1942), voltada para a mineração e a Fábrica Nacional de Motores (1943), além de várias outras.
O processo de industralização foi também favorecido, a partir de 1939, pela Segunda Guerra Mundial, que dificultou as importações e estimulou a produção interna de bens manufaturados.

Ao longo da década de 1930, afirmou-se nos meios intelectuais uma forte tendência a valorizar o trabalhador braçal, o negro e o mestiço brasileiros. Essa valorização fez parte da política cultural do governo durante o Estado Novo. Na ilustração, Café, óleo sobre tela pintado em 1935 pelo paulista Cândido Portinari.

O Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP)
Para promover a imagem de Getúlio Vargas e fazer a propaganda do regime foi criado, em dezembro de 1939, o Departamento de Imprensa e Propaganda, mais conhecido pela sigla DIP. Diretamente vinculado ao presidente da República, o DIP fazia largo uso da imprensa, do cinema e do rádio.

O DIP foi o grande responsável pela popularização da imagem de Getúlio como “pai dos pobres”, pela difusão de uma ideologia baseada na valorização do trabalho e do trabalhador e na exaltação dos valores e símbolos nacionais. Essa ideologia tinha o objetivo de promover a criação de uma identidade nacional a partir das caracterísicas inerentes à população brasileira e à sua cultura. Dessa forma, foram valorizadas diversas manifestações culturais, como o carnaval, o futebol, a mistura de raças etc.

O Brasil e a guerra
Ao eclodir a Segunda Guerra Mundial, o Brasil procurou manter uma posição de neutralidade em relação aos dois lados envolvidos no conflito. Essa posição foi ditada por razões de ordem econômica e ideológica. Por um lado, o governo era parceiro comercial dos EUA e, por outro, simpatizava com o nazismo alemão. A neutralidade brasileira começou a ser afetada em dezembro de 1941, quando os japoneses atacaram a base militar norte-americana de Pearl Harbor, no Havaí. Os EUA entraram na guerra contra o Eixo e exigiram que os países latino-americanos fizessem o mesmo. Foi a partir desse momento que Vargas conseguiu financiamento norte-americano para a construção da Usina Siderúrgica de Volta Redonda.

Ao mesmo tempo, a população das grandes cidades brasileiras começou a se mobilizar, pressionando o governo a declarar guerra contra a Alemanha, em grandes manifestações de rua lideradas pela União Nacional dos Estudantes (UNE, criada em 1937). Nessa conjuntura, alguns navios brasileiros foram afundados por submarinos alemães. Sem saída, o governo de Vargas declarou guerra aos países do Eixo, em agosto de 1942.

3. A queda do Estado Novo
A entrada do Brasil na guerra, a partir de 1942, criou uma contradição para o Estado Novo, pois, externamente, o Brasil apoiava as democracias na luta contra o fascismo, e, internamente, mantinha um regime ditatorial. Além disso, por essa época, tinha início a derrocada do totalitarismo nazi-fascista. A conjuntura era favorável às manifestações de oposição contra o autoritarismo.

Em outubro de 1943, membros das elites de Minas Gerais divulgaram o Manifesto dos Mineiros, no qual pediam a volta da normalidade democrática ao Brasil. Reivindicação semelhante foi feita pelo Primeiro Congresso Brasileiro de Escritores, realizado em São Paulo, no começo de 1945.

Em resposta a essas pressões, em fevereiro de 1945 Getúlio publicou um decreto determinando um prazo de noventa dias para a convocação de eleições presidenciais e para uma Assembléia Constituinte; em abril, concedeu anistia aos presos e perseguidos políticos. Nesse momento, Luís Carlos Prestes saiu da cadeia, onde estava desde março de 1936.

Nas novas circunstâncias, surgiram diversos partidos para disputar as eleições, como a União Democrática Nacional (UDN), que lançou a candidatura do brigadeiro Eduardo Gomes à Presidência da República; o Partido Social Democrático (PSD), cujo candidato era o general Eurico Dutra; e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), que também apoiou Dutra. Além desses, havia outros partidos de menor potencial eleitoral. Um deles, o Partido Comunista do Brasil (PCB), conseguiria eleger uma bancada pequena mas combativa para a Assembléia Nacional Constituinte. Dessa bancada fazia parte Luís Carlos Prestes, eleito senador.

De todo modo, embora tivesse convocado eleições presidenciais, Getúlio não se mostrava propenso a abandonar o poder. Com seu conhecimento, teve início então uma campanha popular com manisfestações de apoio à proposta “Constituinte com Getúlio”. Os promotores dessa campanha eram o PTB e algumas lideranças sindicais, apoiadas pelos comunistas. Como os manifestantes gritavam em coro pelas ruas o slogan “queremos Getúlio”, o movimento tornou-se conhecido como queremismo.

Mas o queremismo não seria suficiente para assegurar a permanência de Getúlio no poder. Desconfiado de seus planos, os generais Góis Monteiro e Eurico Gaspar Dutra, recém-convertidos à democracia, depuseram o ditador no dia 29 de outubro de 1945. Era o fim do Estado Novo.