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do Livro "História" Editora Gráfica do mesmo autor.

( * ) Divalte Garcia Figueira.
Bacharel e licenciado em História.
Mestre em História Econômica
Doutorando pela Universidade de São Paulo
Autor entre outros de “Cidades Históricas e barroco mineiro” “Soldados e negociantes na Guerra do Paraguai”
e_mail:- divalte@yahoo.com

 

Japão: entre o "milagre" e a crise


.Divalte Garcia Figueira ( * )

Derrotado na segunda Guerra Mundial, o Japão permaneceu sob ocupação norte-americana de setembro de 1945 a abril de 1952. Nesse período - pouco mais de seis anos - , importantes reformas foram realizadas no país por imposição do general Douglas MacArthur, comandante das forças de ocupação. Tais reformas contribuíram para modernizar a economia e criar as bases da democracia representativa no Japão. Entre elas, destacam-se:
- a democratização do país, com a entrada em vigor de uma nova Constituição (1947), assegurando a liberdade de imprensa e de reunião e o direito de voto às mulheres maiores de vinte anos;
- a dissolução dos conglomerados econômicos (os zaibatsu), que reuniam dezenas de empresas e concentravam o poder econômico;
- a reforma agrária (1946), limitando o tamanho das propriedades rurais individuais. As terras que ficaram disponíveis foram expropriadas e vendidas aos camponeses para pagamento a longo prazo;
- a introdução do regime parlamentarista.

O “milagre” japonês
A Segunda Guerra Mundial deixou arrasada a economia japonesa: em 1946, por exemplo, a produção industrial do país caiu para um sétimo do que fora em 1941. Mas o auxílio norte-americano (incluindo os gastos durante a ocupação militar), aliado ao esforço dos próprios japoneses, garantiu a recuperação econômica. O início da Guerra da Coréia (1950-1953) também ajudou nesse processo, pois foram crescentes as encomendas às indústrias japonesas no período. Conhecia como “milagre japonês”, a recuperação da economia se apoiou principalmente no rápido desenvolvimento de outros setores industriais como a construção naval e a produção de equipamentos eletrônicos e fotográficos. Mas setores tradicionais, como a indústria têxtil e a siderúrgica, também cresceram.

Em menos de vinte anos, o Japão não só conseguiu alcançar os mais adiantados países ocidentais, como chegou a ultrapassá-lo. Na década de 1960, superou os suíços na produção de relógios e os alemães na produção de parelhos fotográficos. Na década de 1980, deixou para trás os EUA na produção de aço, robôs e automóveis. Em 1997, seu PIB chegou a 4,2 trilhões de dólares, o dobro do PIB da Alemanha (2,1 trilhões de dólares) e sua renda per capita alcançou a marca de 38 160 dólares - a economia japonesa só era superada pela dos EUA.

O modelo japonês de desenvolvimento
Uma das características do modelo econômico japonês foi a intervenção do Estado na coordenação e na implementação de projetos nacionais de desenvolvimento. As autoridades estatais passaram a orientar as empresas, ajudando-as com políticas de comércio, tecnologia e crédito. Com esse apoio, as empresas se capacitaram para competir com sucesso no mercado mundial.

Ao mesmo tempo, o país deixou de ter gastos militares, já que os termos da rendição de 1945 para os norte-americanos proibiam a reorganização das forças armadas. Isso permitiu ao Estado japonês canalizar os saldos favoráveis de sua balança comercial tanto investimentos produtivos quando para o aumento dos salários reais, melhorando o padrão de vida da população. Esse processo foi acompanhado de elevados investimentos em pesquisas tecnológicas. Em conseqüência, o Japão conseguiu assumir uma posição de liderança nos setores da informação no momento em que esses se tornavam essenciais na economia globalizada.

Mas nenhuma explicação do “milagre japonês” estará completa se não se levarem em conta as características peculiares do seu sistema de trabalho. Eis algumas delas:
- o trabalhador japonês é solidário com a empresa onde trabalha, com o qual tem um pacto: ele se compromete a permanecer fiel à empresa durante toda sua vida ativa e a empresa se compromete a não demiti-lo;
- o salário se compõe de duas partes - uma fixa, outra variável. esta última depende dos resultados econômicos obtidos pela empresa. Os sindicatos acompanham com atenção os índices de aumento da produtividade e dos lucros e negociam com os patrões o montante adicional do salário a ser pago;
- quando decidem pressionar os patrões, os trabalhadores japoneses primeiramente recorrem a um ato simbólico, que pode consistir por exemplo, na colocação de uma faixa em torno da cabeça. Apenas nos casos mais graves eles entram efetivamente em greve, com a paralisação do trabalho.

Essas características das relações de trabalho no Japão levam o trabalhador a se sentir uma espécie de ²sócio menor ² da empresa, comprometido com seu sucesso. Para isso, ele é capaz de fazer sacrifícios, que chegam ao extremo da redução voluntária dos dias de lazer.

Uma economia em crise
Depois de mais de trinta anos de crescimento quase ininterrupto, a economia japonesa começou a apresentar, no final da década de 1980, sinais de esgotamento.

Como efeito dos elevados superávits na balança comercial e das enormes reservas de divisas acumuladas pelo país, o iene (a moeda japonesa) revelou uma tendência de valorização em relação ao dólar, criando uma situação desvantajosa para o comércio exterior do Japão. Além disso, o governo norte-americano proibiu a importação de uma série de produtos japoneses, acusando o Japão de concorrência desleal.

Surgiu também outro problema: a crise do sistema de financiamento bancário, por meio do qual o dinheiro dos poupadores era repassado às empresas na forma de empréstimos, garantidos por ações e principalmente por imóveis. A prosperidade da economia japonesa permitiu que o sistema crescesse e se estendesse a outros países. Mas início dos anos 1990, o governo teve de adotar mediadas restritivas para evitar a inflação. A recessão que se seguiu provocou a queda do valor das ações e dos imóveis, determinando o colapso do sistema. Em conseqüência, o governo foi obrigado a gastar perto de um trilhão de dólares para cobrir os prejuízos.

Depois de conquistar a liderança mundial em vários setores, o Japão perdeu posições no final de 1990. Por exemplo, na área de tecnologia de ponta (microcomputadores, sotwares, microeletrônica, telecomunicações e biotecnologia), as empresas norte-americanas passaram à frente das japonesas. Da mesma forma, o PIB japonês tem apresentado baixas taxas de crescimento nos últimos anos; enquanto a economia norte-americana atravessa um período de expansão que já dura, dez anos.