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do Livro "História" Editora Gráfica do mesmo autor.

( * ) Divalte Garcia Figueira.
Bacharel e licenciado em História.
Mestre em História Econômica
Doutorando pela Universidade de São Paulo
Autor entre outros de “Cidades Históricas e barroco mineiro” “Soldados e negociantes na Guerra do Paraguai”
e_mail:- divalte@yahoo.com

 

 

A cabeça de Luzia foi reconstituída na Universidade de Manchester, Inglaterra, e revelou surpreendentes traços negróides.


(Adaptado de: André Prous.
O povoamento da América visto do Brasil: uma perspectiva critica.
Revista da USP, jun./jul./ago. 1997, p. 11.)

A ocupação da América


Divalte Garcia Figueira ( * )

. Luzia, a primeira "brasileira"?

Em 1975, foi desenterrado em Lagoa Santa, local próximo de Belo Horizonte, Minas Gerais, o mais antigo fóssil humano já encontrado no continente americano. Ele foi localizado no interior de uma caverna, a 13 metros de profundidade.

Como já vimos, pelo exame do fóssil foi possível saber que se tratava de uma mulher, com altura aproximada de 1,5 metro e que deve ter falecido com pouco mais de 20 anos de idade, há cerca de 11,5 mil anos.

Estudado recentemente por uma equipe chefiada pelo pesquisador Walter Neves, da Universidade de São Paulo (USP), o fóssil revelou dados desconcertantes. Após inúmeros estudos e comparações com outros fósseis, inclusive europeus e asiáticos, os pesquisadores concluíram que Luzia apresenta traços anatômicos que se diferenciam dos de outros habitantes já conhecidos do continente americano, incluindo os índios. Enquanto estes possuem características típicas dos povos mongolóides da Ásia, Luzia apresenta traços negróides, muito mais próximos dos africanos e mesmo dos povos da Austrália.

Esses dados podem mudar radicalmente muitas das teorias a respeito da chegada dos primeiros seres humanos ao continente americano.

Novas pesquisas, novas hipóteses
Alguns estudiosos começam a admitir que os povoadores da América tenham chegado em diferentes e sucessivas levas ao continente.

Em 1986, três pesquisadores norte-americanos conceberam um modelo para explicar a ocupação da América por meio de três ondas migratórias. A primeira teria dado origem a todos os índios da América do Sul, da América Central e de parte da América do Norte. A segunda teria resultado nos grupos nômades da região noroeste da América do Norte. A terceira seria aquela que originou os inuits (esquimós).

Nesse modelo, porém, não há ainda lugar para Luzia e seus parentes. Por essa razão, Walter Neves e outros pesquisadores estudam a hipótese de ter havido uma quarta onda migratória. Para eles, Luzia seria descendente de um grupo aparentado dos atuais aborígines australianos, que teriam migrado da Ásia.

A tese tem sido reforçada pela descoberta, em várias partes do continente, de outros fósseis com as características de Luzia. Esses grupos humanos, entretanto, não sobreviveram. A hipótese levantada é de que eles teriam sido exterminados por grupos mais fortes ou mais numerosos que teriam chegado posteriormente e dado origem aos indígenas atuais.

O povoamento da América
Vimos ao longo deste capitulo que é intenso o debate sobre a chegada dos primeiros povoadores do atual território brasileiro. Entretanto, para resolver a questão existe um grande obstáculo: as características ambientais da região, que não favorecem a preservação dos vestígios de nossos primeiros ancestrais, como mostra o texto a seguir.

Os sítios arqueológicos são locais onde foram preservados vestígios reconhecíveis da presença. e das atividades humanas. Estando tais condições raramente reunidas, as chances de um local de ocupação ser preservado e encontrado pelos arqueólogos depois de milênios de abandono são sempre reduzidas. As primeiras ondas de imigrantes devem ter sido formadas por populações muito esparsas, e as probabilidades de seus sítios serem encontrados são estatisticamente ainda menores. Os vestígios ósseos (restos alimentares ou de sepultamentos) conservam-se particularmente mal em regiões quentes, onde a atividade bacteriana ou a ação de raízes é intensa e as terras são geralmente ácidas. Além disso, em regiões tropicais onde havia abundância de madeira, a maioria dos instrumentos deve ter sido feita com esse tipo de matéria-prima, que é rapidamente destruída.

Os primeiros povoadores podem até ter dispensado instrumentos de pedra, praticamente indestrutíveis e que formam os vestígios mais visíveis nos sítios de regiões frias. Mas veremos que os supostos sítios arqueológicos americanos apresentam vestígios que podem ser atribuídos tanto à ação dos seres humanos quanto aos fenômenos naturais.