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do Livro "História" Editora Gráfica do mesmo autor.

( * ) Divalte Garcia Figueira.
Bacharel e licenciado em História.
Mestre em História Econômica
Doutorando pela Universidade de São Paulo
Autor entre outros de “Cidades Históricas e barroco mineiro” “Soldados e negociantes na Guerra do Paraguai”
e_mail:- divalte@yahoo.com



Representação de celeiro para a guarda de tributos pagos ao Estado. Os tributos eram pagos in natura e recolhidos aos muitos celeiros existentes. Por isso, era necessária uma grande estrutura administrativa, na qual os escribas desempenhavam papel fundamental, No canto direito infeiior, podemos perceber um desses funcionários anotando as sacas de cereais depositadas

O Egito


Divalte Garcia Figueira ( * )

A escolha do melhor ofício
Os escribas, compenetrados da própria importância, julgavam a sua profissão muito superior à dos trabalhadores manuais. Exemplo disso é o texto a seguir, escrito por um velho escriba, que procura influenciar seu filho na escolha do melhor oficio:

Não tens uma idéia da vida do camponês que cultiva a terra? O coletor das finanças acha-se no cais ocupado em recolher os dízimos das colheitas. Tem consigo gente armada de bastão, negros munidos de ripas de palmeira. Todos gritam: Vamos, os grãos! Se o camponês não os tem, atiram-no ao chão (...); arrastam-no ao canal, onde o mergulham de cabeça para baixo (...)

O artesão não é mais feliz do que o camponês. O pedreiro, dir-te-ei como a doença o espreita, pois está exposto a todos os ventos, sobre as vigas do andaime, pendurado nos capitéis como lótus; seus dois braços gastam-se no trabalho, suas vestes em desordem, não se lava senão uma vez por dia. Quando consegue pão, regressa à casa e bate em seus filhos (...) O tecelão não arreda de sua casa; seus joelhos estão à altura do estômago; se deixar de fabricar um só dia a quantidade regulamentar, é atado como os lótus dos pântanos.

Mas, a profissão de oficial do exército será mais tentadora? Vem, que eu te contarei a sorte de um oficial do exército. Levam-no ainda criança e encerram-no na caserna. Logo, o seu ventre estará todo gretado e os seus supercílios fendidos, a sua cabeça, uma chaga.

Estendem-no e espancam-no como a um papiro. Queres que te conte agora a sua campanha em lugares longínquos? Leva os víveres e a água ao ombro como a carga de um burro; a sua espinha parte-se. Bebe água podre. Deve constantemente montar guarda. Chega diante do inimigo? E um pássaro que treme. Volta ao Egito? E apenas um velho pedaço de pau roído pelos vermes.

O velho escriba conclui: Vi a violência, por toda a parte a violência! Eis por que te inclino para as letras (...).




 






Representação de rei e rainha egípcios no espaldar do trono do faraó Tutancâmon. A rigidez nas figuras humanas na arte egípcia tinha um objetivo especifico: buscava-se registrar o que há de imutável no ser humano.