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Divalte Garcia Figueira ( * )
No nordeste
do continente africano, ao longo das margens do rio Nilo,
constituiu-se uma das mais duradouras e exuberantes sociedades
da história.
Ainda hoje a cultura egípcia
continua a despertar admiração, interesse
e curiosidade. Historiadores, arqueólogos, caçadores
de tesouros, simples curiosos.
Muitos são os que
procuram saber mais a respeito da sociedade que construiu
pirâmides colossais e que desenvolveu inúmeros
conhecimentos utilizados até os dias de hoje.
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1. O meio geográfico
As cheias periódicas do rio Nilo
transformam o Egito numa espécie de Oásis
no meio do deserto do nordeste africano. Elas são
provocadas por chuvas abundantes que caem na nascente do
rio no interior do continente e chegam ao Egito depois de
atravessar uma extensão de mais de 5 mil quilômetros
As cheias começam
no final de junho e atingem seu volume máximo em
setembro; em seguida, o rio começa a baixar, voltando
ao seu leito em dezembro. Com as cheias, as águas
inundam uma grande extensão das margens e formam
uma espécie de limo, o húmus, que torna as
terras muito férteis.
Desde o período Neolítico,
os grupos humanos que viviam nessa região perceberam
que poderiam tirar proveito disso. Aprenderam que, ao serem
plantados logo após o recuo das águas, os
vegetais cresciam rapidamente e podiam ser colhidos antes
do início da nova enchente.
Ao longo de muitas gerações,
os egípcios foram aprimorando um amplo sistema de
irrigação. Construindo diques e canais, aprenderam
a controlar e a aproveitar ao máximo as inundações
para o desenvolvimento da agricultura.
A importância das
águas do rio Nilo para a população
que vivia em suas margens era tal que os egípcios
consideravam o rio um de seus deuses. No século VI
a.C., o historiador grego Heródoto, refletindo sobre
essa condição, chegou a afirmar que o Egito
era uma dádiva do Nilo".
2. O estudo do Egito
Desde o quarto milênio a.C., os egípcios desenvolveram
um complexo sistema de escrita, chamada /zierogltfica. Os
hieróglifos, palavra grega que significa caracteres
sagrados, eram constituídos de pequenos desenhos
com múltiplos significados. Em geral, esses desenhos
eram gravados ou pintados nas paredes dos túmulos
e dos templos.
Quando escritos sobre papiro
- uma espécie de papel que os egípcios fabricavam
a partir de uma planta de mesmo nome, que crescia em abundância
no vale do Nilo - os hieróglifos tinham de ser abreviados,
originando uma escrita simplificada à qual se deu
o nome de hierática. Por fim, os egípcios
desenvolveram o demótico, que é uma forma
mais popular de escrita, proveniente de uma simplificação
da forma hierática.
Com a conquista do Egito Antigo por diversos povos, a partir
de 525 a.C., esses sistemas de escrita acabaram caindo no
esquecimento. Foi somente no século XIX que pesquisadores
europeus se puseram a estudar os registros escritos do Oriente
antigo. Em 1822, um professor de história, o francês
Jean François Champollion, conseguiu decifrar os
hieróglifos.
Champollion tomou como base
a Pedra de Roseta, uma lápide de basalto preto, encontrada
no deita do Nilo, em 1799, por membros da expedição
de Napoleão Bonaparte. A pedra contém um único
texto, datado de 196 a.C, escrito em três sistemas
de notação: hieroglífico, demótico
e grego. Partindo do grego, uma língua que já
conhecia, Champollion conseguiu identificar as mesmas palavras
nas outras duas escritas e, assim, pôde determinar
o significado de cada uma das grafias.
Valendo-se dos conhecimentos
obtidos com essa interpretação, outros estudiosos
passaram a se dedicar ao estudo mais detalhado dos hieróglifos,
bem como dos templos, dos túmulos, dos baixos-relevos
e das pinturas. Dessa forma tornou-se possível ampliar
o conhecimento sobre diversos aspectos da sociedade egípcia.
Essas pesquisas deram origem à egiptologia, área
do conhecimento que estuda o Egito Antigo.
3. A era dos faraós
Por volta do quarto milênio a.C., existiam no vale
do Nilo pequenas comunidades chamadas de nomos, cada uma
delas chefiada por um líder, chamado nomarca. A fim
de obter melhor aproveitamento das cheias do grande rio,
tais comunidades se uniam para efetuar a construção
de diques e de canais de irrigação.
Com o tempo, os agrupamentos
acabaram originando a formação de dois reinas
distintos, correspondentes ao Alto e ao Baixo Egito.
O Alto Egito ficava ao sul,
era o extenso vale ao longo das margens do Nilo. O Baixo
Egito, ao norte, organizava-se em torno do delta formado
pelo rio ao desaguar no mar Mediterrâneo
Por volta de 3200 a.C.,
Menés, soberano do Alto Egito, impôs a unificação
dos dois reinas, tomando para si o título de faraó.
A partir desse momento,
pode-se dividir a história do Egito Antigo em quatro
longos períodos, nos quais os faraós conseguiram
manter o poder.
Antigo Império (cerea
de 3200-2000 a.C.). Durante a maior parte desse período,
o centro administrativo do Egito era a cidade de Mênfis,
localizada no delta do Nilo. Dessa cidade os pesquisadores
não encontraram vestígios, nem mesmo ruínas.
Dentre os faraós mais conhecidos dessa fase, encontram-se
Quéops, Quéfren e Miquerinos. Foram eles que
mandaram construir, para servir-lhes de túmulos,
as grandes pirâmides da planície de Gizé
(cerca de 2600 a.C.). A partir de 2350 a.C., lutas entre
os líderes dos nomos e desorganização
do poder central geraram crises que acabaram por enfraquecer
a autoridade do faraó.
Médio Império
(2000-1580 a.C.). O poder do faraó foi restaurado
por governantes do Alto Egito. Dessa vez, o centro administrativo
se estabeleceu em Tebas. Seguiu-se um longo período
de relativa prosperidade que durou cerca de quatrocentos
anos, até a invasão dos hicsos. Utilizando
armas e recursos de guerra desconhecidos dos egípcios,
esse povo, proveniente da Ásia ocidental, dominou
e subjugou o Egito durante quase duzentos anos. Nesse mesmo
período, os hebreus também se instalaram na
terra dos faraos.
Novo Império (1580-1085
a.C.). Período iniciado com a expulsão dos
hicsos por soberanos do Alto Egito, que restabeleceram a
autonomia na região e consolidaram a autoridade do
faraó sobre todo o território. Nesse período,
ocorreram os governos dos faraós Tutmés III
e Ramsés II, que converteram o Egito, durante algum
tempo, na região mais poderosa do Crescente Fértil.
O comércio se expandiu, tanto por terra como por
mar, tendo chegado até a ilha de Creta. Nessa época,
foram construídos os templos de Luxor e Carnac.
A partir do século XII a.C., teve início um
período de enfraquecimento do poder dos faraós,
ocasionado por disputas internas. Desestabilizado o poder
central, o Egito sofreu sucessivas invasões, culminando
com a conquista do Império pelos assírios,
em 671 a.C.
Renascimento Saíta
(663-525 a.C.). Príncipes de Saís, cidade
localizada no delta do Nilo, lideraram os egípcios
na expulsão dos assírios e possibilitaram,
mais uma vez, o fortalecimento da sociedade egípcia.
A estabilidade durou pouco, entretanto. Um importante faraó
desse período foi Necao, que tentou unir o mar Mediterrâneo
ao mar Vermelho por meio de um canal. Por sua ordem, ainda,
navios egípcios, comandados por um capitão
fenício, realizaram uma viagem de circunavegação
do continente africano.
Em 525 a.C., os persas dominaram
o Egito que, a partir de então, não conseguiu
mais recuperar sua autonomia. Depois do domínio persa,
o território seria sucessivamente conquistado pelos
gregos e pelos romanos.
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