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do Livro "História" Editora Gráfica do mesmo autor.

( * ) Divalte Garcia Figueira.
Bacharel e licenciado em História.
Mestre em História Econômica
Doutorando pela Universidade de São Paulo
Autor entre outros de “Cidades Históricas e barroco mineiro” “Soldados e negociantes na Guerra do Paraguai”
e_mail:- divalte@yahoo.com

( ** ) Fontes:
1. SERRYN, Pierre & BLASSELLE, René. Atlas Bordas géographique et historique. Paris, Bordas, 1998; 2. Atlas historique - Histoire de l'humanité. Paris, Hachette, 1987.


Representação de rei e rainha egípcios no espaldar do trono do faraó Tutancâmon. A rigidez nas figuras humanas na arte egípcia tinha um objetivo especifico: buscava-se registrar o que há de imutável no ser humano.

O Egito


Divalte Garcia Figueira ( * )

No nordeste do continente africano, ao longo das margens do rio Nilo, constituiu-se uma das mais duradouras e exuberantes sociedades da história.

Ainda hoje a cultura egípcia continua a despertar admiração, interesse e curiosidade. Historiadores, arqueólogos, caçadores de tesouros, simples curiosos.

Muitos são os que procuram saber mais a respeito da sociedade que construiu pirâmides colossais e que desenvolveu inúmeros conhecimentos utilizados até os dias de hoje.

( ** )

1. O meio geográfico
As cheias periódicas do rio Nilo transformam o Egito numa espécie de Oásis no meio do deserto do nordeste africano. Elas são provocadas por chuvas abundantes que caem na nascente do rio no interior do continente e chegam ao Egito depois de atravessar uma extensão de mais de 5 mil quilômetros

As cheias começam no final de junho e atingem seu volume máximo em setembro; em seguida, o rio começa a baixar, voltando ao seu leito em dezembro. Com as cheias, as águas inundam uma grande extensão das margens e formam uma espécie de limo, o húmus, que torna as terras muito férteis.

Desde o período Neolítico, os grupos humanos que viviam nessa região perceberam que poderiam tirar proveito disso. Aprenderam que, ao serem plantados logo após o recuo das águas, os vegetais cresciam rapidamente e podiam ser colhidos antes do início da nova enchente.

Ao longo de muitas gerações, os egípcios foram aprimorando um amplo sistema de irrigação. Construindo diques e canais, aprenderam a controlar e a aproveitar ao máximo as inundações para o desenvolvimento da agricultura.

A importância das águas do rio Nilo para a população que vivia em suas margens era tal que os egípcios consideravam o rio um de seus deuses. No século VI a.C., o historiador grego Heródoto, refletindo sobre essa condição, chegou a afirmar que o Egito era uma dádiva do Nilo".

2. O estudo do Egito
Desde o quarto milênio a.C., os egípcios desenvolveram um complexo sistema de escrita, chamada /zierogltfica. Os hieróglifos, palavra grega que significa caracteres sagrados, eram constituídos de pequenos desenhos com múltiplos significados. Em geral, esses desenhos eram gravados ou pintados nas paredes dos túmulos e dos templos.

Quando escritos sobre papiro - uma espécie de papel que os egípcios fabricavam a partir de uma planta de mesmo nome, que crescia em abundância no vale do Nilo - os hieróglifos tinham de ser abreviados, originando uma escrita simplificada à qual se deu o nome de hierática. Por fim, os egípcios desenvolveram o demótico, que é uma forma mais popular de escrita, proveniente de uma simplificação da forma hierática.
Com a conquista do Egito Antigo por diversos povos, a partir de 525 a.C., esses sistemas de escrita acabaram caindo no esquecimento. Foi somente no século XIX que pesquisadores europeus se puseram a estudar os registros escritos do Oriente antigo. Em 1822, um professor de história, o francês Jean François Champollion, conseguiu decifrar os hieróglifos.

Champollion tomou como base a Pedra de Roseta, uma lápide de basalto preto, encontrada no deita do Nilo, em 1799, por membros da expedição de Napoleão Bonaparte. A pedra contém um único texto, datado de 196 a.C, escrito em três sistemas de notação: hieroglífico, demótico e grego. Partindo do grego, uma língua que já conhecia, Champollion conseguiu identificar as mesmas palavras nas outras duas escritas e, assim, pôde determinar o significado de cada uma das grafias.

Valendo-se dos conhecimentos obtidos com essa interpretação, outros estudiosos passaram a se dedicar ao estudo mais detalhado dos hieróglifos, bem como dos templos, dos túmulos, dos baixos-relevos e das pinturas. Dessa forma tornou-se possível ampliar o conhecimento sobre diversos aspectos da sociedade egípcia. Essas pesquisas deram origem à egiptologia, área do conhecimento que estuda o Egito Antigo.


3. A era dos faraós
Por volta do quarto milênio a.C., existiam no vale do Nilo pequenas comunidades chamadas de nomos, cada uma delas chefiada por um líder, chamado nomarca. A fim de obter melhor aproveitamento das cheias do grande rio, tais comunidades se uniam para efetuar a construção de diques e de canais de irrigação.

Com o tempo, os agrupamentos acabaram originando a formação de dois reinas distintos, correspondentes ao Alto e ao Baixo Egito.

O Alto Egito ficava ao sul, era o extenso vale ao longo das margens do Nilo. O Baixo Egito, ao norte, organizava-se em torno do delta formado pelo rio ao desaguar no mar Mediterrâneo

Por volta de 3200 a.C., Menés, soberano do Alto Egito, impôs a unificação dos dois reinas, tomando para si o título de faraó.

A partir desse momento, pode-se dividir a história do Egito Antigo em quatro longos períodos, nos quais os faraós conseguiram manter o poder.

Antigo Império (cerea de 3200-2000 a.C.). Durante a maior parte desse período, o centro administrativo do Egito era a cidade de Mênfis, localizada no delta do Nilo. Dessa cidade os pesquisadores não encontraram vestígios, nem mesmo ruínas. Dentre os faraós mais conhecidos dessa fase, encontram-se Quéops, Quéfren e Miquerinos. Foram eles que mandaram construir, para servir-lhes de túmulos, as grandes pirâmides da planície de Gizé (cerca de 2600 a.C.). A partir de 2350 a.C., lutas entre os líderes dos nomos e desorganização do poder central geraram crises que acabaram por enfraquecer a autoridade do faraó.

Médio Império (2000-1580 a.C.). O poder do faraó foi restaurado por governantes do Alto Egito. Dessa vez, o centro administrativo se estabeleceu em Tebas. Seguiu-se um longo período de relativa prosperidade que durou cerca de quatrocentos anos, até a invasão dos hicsos. Utilizando armas e recursos de guerra desconhecidos dos egípcios, esse povo, proveniente da Ásia ocidental, dominou e subjugou o Egito durante quase duzentos anos. Nesse mesmo período, os hebreus também se instalaram na terra dos faraos.

Novo Império (1580-1085 a.C.). Período iniciado com a expulsão dos hicsos por soberanos do Alto Egito, que restabeleceram a autonomia na região e consolidaram a autoridade do faraó sobre todo o território. Nesse período, ocorreram os governos dos faraós Tutmés III e Ramsés II, que converteram o Egito, durante algum tempo, na região mais poderosa do Crescente Fértil. O comércio se expandiu, tanto por terra como por mar, tendo chegado até a ilha de Creta. Nessa época, foram construídos os templos de Luxor e Carnac.
A partir do século XII a.C., teve início um período de enfraquecimento do poder dos faraós, ocasionado por disputas internas. Desestabilizado o poder central, o Egito sofreu sucessivas invasões, culminando com a conquista do Império pelos assírios, em 671 a.C.

Renascimento Saíta (663-525 a.C.). Príncipes de Saís, cidade localizada no delta do Nilo, lideraram os egípcios na expulsão dos assírios e possibilitaram, mais uma vez, o fortalecimento da sociedade egípcia. A estabilidade durou pouco, entretanto. Um importante faraó desse período foi Necao, que tentou unir o mar Mediterrâneo ao mar Vermelho por meio de um canal. Por sua ordem, ainda, navios egípcios, comandados por um capitão fenício, realizaram uma viagem de circunavegação do continente africano.

Em 525 a.C., os persas dominaram o Egito que, a partir de então, não conseguiu mais recuperar sua autonomia. Depois do domínio persa, o território seria sucessivamente conquistado pelos gregos e pelos romanos.