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os defensores do socialismo desconhecem uma lei básica da economia

0 Comentários 15 outubro 2016

Como bem ilustra a Venezuela,
Jeffrey Tucker
Como todo o universo já sabe, o governo venezuelano arruinou completamente a economia com a adoção de medidas socialistas.

A mistura de hiperinflação (gerada pela impressão desmedida de dinheiro), controle de preços e estatizações de fábricas e lojas não apenas não conseguiu gerar oferta abundante de nenhum bem, como, ao contrário, gerou desabastecimento generalizado — as prateleiras das lojas e dos supermercados estão vazias e as pessoas de classe média que antes tinham emprego estão hoje esfomeadas, tendo de literalmente revirar latas de lixo e matar gatos e pombos nas ruas para ter o que comer. (Veja relatos completos e apavorantes aqui e aqui)

E então, para tentar “reverter” a fome e a escassez de comida, o governo venezuelano decretou que os cidadãos venezuelanos serão compulsoriamente convocados a trabalhar em fazendas agrícolas estatizadas por pelo menos 60 dias para reverter a fome que vem castigando o país.

A Anistia Internacional declarou que o decreto “equivale a trabalho forçado”. A diretora da AI para as Américas, Erika Guevara-Rosas, afirmou que “tentar abordar a severa falta de alimentos na Venezuela forçando o povo a trabalhar no campo é como tentar curar uma perna quebrada com um curativo”.

Na verdade, seria mais correto dizer que é como tentar curar uma perna quebrada com um tiro na cabeça.

Campos de trabalho forçado são uma das consequências inevitáveis do socialismo.  E são um abuso ao direito mais básico do ser humano, que é o de não ter sua vida, sua liberdade e sua propriedade sobre o próprio corpo violada.

Talvez você já tenha observado esse padrão: onde quer que o socialismo seja tentado, as pessoas sofrem.  Cada caso de socialismo apresenta suas peculiaridades porque nenhum regime tirânico se comporta exatamente como os outros.  Mas a raiz do problema é a mesma: o governo proíbe o povo de ter determinadas propriedades, de acumular riqueza, de comercializar e de fazer associações voluntárias.

Esse é o cerne do problema da Venezuela.

Mas há outra encrenca.

E lá vêm eles, de novo

Obviamente, nenhum socialista tem a hombridade de reconhecer que defendem um sistema que só gera caos e miséria.

Segundo eles (é sério), “os problemas que hoje atormentam a economia venezuelana não decorrem de nenhuma falha inerente ao socialismo”.

Você já esperava esse comportamento negacionista, certo? O socialismo parece ser a mais persistente ideologia não-falsificável do planeta.  Socialistas são aquelas pessoas que juram que a gravidade não existe e que, por isso, vivem pulando com a esperança de que ascenderão às nuvens a qualquer momento.  Embora a ascensão às nuvens nunca aconteça, a fé de que não existe gravidade permanece inabalável.

O que, afinal, é o socialismo?  Não importa como ele seja definido ou descrito, não importa quantoscasos fracassados você aponte, não importa quão frequentemente suas idéias centrais sejamrefutadas, o socialista se recusa a aceitar responsabilidade.

Sendo assim, peguemos ao menos a definição de socialismo dada por alguém defende a ideologia.  OPartido Socialista da Grã-Bretanha fornece esta descrição sucinta para o que é o socialismo: “livre acesso a todos os bens e serviços”.

Que ideia interessante.  Então eu quero um Bentley, férias na Europa, um terno feito sob medida, e cortes de cabelo vitalícios.  De graça.  Muito obrigado.

A incompreensão fundamental — e fatal

A afirmação acima parece confirmar tudo aquilo que sempre suspeitei a respeito do socialismo.  A ideologia é toda ela baseada em um erro extremamente simples, um erro tão fundamental ao ponto de negar uma característica básica do mundo: o socialismo nega a existência e a persistência daescassez.

E o fato é que vivemos em um mundo de escassez.  Nada é infinito.  Nenhum bem ou serviço é encontrado pronto do nada, em plena abundância.  Todos eles precisam ser criados e trabalhados.  Um carro não surge do nada.  É preciso trabalhar o aço, o alumínio, a borracha e o plástico que vão formá-lo.  E esses quatro componentes também não surgem do nada.  Eles precisam ser extraídos da natureza ou fabricados sinteticamente.  E, ao serem direcionados para a produção do carro, outros bens que necessitam desses mesmos componentes deixam de ser fabricados.

Isso é a escassez.

O mesmo é válido para todos os outros bens de consumo que você possa imaginar, de laptops a aviões, de parafusos a sanduíches, pizzas, palitos de dente e fio dental.  Todos precisam ser produzidos e trabalhados.  E todos utilizam recursos escassos, os quais então deixam de ser utilizados em outros processos de produção.

Socialistas rejeitam este fato de que vivemos em um mundo de escassez, em que nada é infinito.  Isso significa que os socialistas negam que a questão da produção e da alocação de recursos sequer seja um problema.

Se você nega esse básico, então não é nada surpreendente que você não tenha nenhuma consideração pela ciência econômica e desconsidere que ela seja uma disciplina das ciências sociais.

Só para esclarecer, economistas utilizam o termo “escassez” de uma maneira peculiar.  Escassez não significa desabastecimento, embora a possibilidade de desabastecimento — como o que ocorre hoje na Venezuela — seja uma característica da escassez.  E um bem ou serviço pode ser escasso ainda que exista em abundância.

Por exemplo, só porque os supermercados estão repletos de alimentos, ou só porque startups de internet estão implorando para que você baixe aplicativos, isso não significa que vivemos em uma era pós-escassez.  Não existe pós-escassez nesta vida.

Enquanto houver uma disputa para controlar algo, esse algo é um bem escasso.

Digamos que você está dividindo uma pizza com seus amigos.  E sempre que você pega uma fatia, surge magicamente outra fatia no lugar daquela.  A pizza magicamente se auto-reproduz.  Em algum momento, tão logo você percebe este fenômeno, seu comportamento começa a se alterar.  Não mais existe rivalidade a respeito dos pedaços de pizza.  Seu controle sobre um pedaço da pizza não afeta o controle de outra pessoa sobre aquele mesmo pedaço.  Nesse caso, a pizza realmente se tornou um bem não-escasso.

A escassez é inerente à natureza de um bem.  Se você consegue imaginar pessoas tendo algum tipo de discussão para decidir quem controla ou consome esse bem, então ele é escasso.

E lutar por “propriedade intelectual” não conta, pois o que isso realmente envolve é uma disputa para decidir se alguém pode utilizar seus recursos escassos (drive de computador, cordas do violão, papel e caneta etc.) para reproduzir padrões (software, músicas, idéias etc.).  Mais sobre isso abaixo.

Até mesmo bens abundantes podem ser escassos.  Pense em uma caçada a ovos de páscoa em que há 100.000 ovos espalhados por um quintal.  As crianças ainda assim irão correr e batalhar para coletá-los.  Os ovos, por mais abundantes que sejam, ainda possuem as características da escassez.

Não pode haver propriedade coletiva de bens escassos

Eis o ponto chave: enquanto um bem for escasso, não é possível haver acesso coletivo livre e ilimitado a esse bem.  Qualquer que seja este bem, ele será sobreutilizado, exaurido e, por fim, sumirá completamente após a última luta corporal pela última migalha restante — que é o que estáacontecendo na Venezuela.

Ou seja, é impossível haver socialismo em um arranjo em que os bens e serviços são escassos.  Sob a realidade da escassez, bens e serviços têm de ser alocados racionalmente.  Em um arranjo de mercado, o sistema de preços livres coordena essa alocação, direcionando recursos escassos para aqueles setores mais demandados pelos consumidores.  A alternativa a esse arranjo é quando bens e serviços são alocados de acordo com decisões arbitrárias, as quais são implantadas por meio da força e da ameaça de violência.

É nisso que sempre consistiu o socialismo.  E tem de ser assim por um motivo simples: o socialismo não lida com a realidade.  O socialismo é a negação da realidade.

E o que é que não possui a característica de escassez?  Pense em qualquer bem ou serviço sobre o qual não haja nenhuma disputa para controlá-lo ou consumi-lo.  Você pode consumi-lo e outra pessoa também, até o infinito.  Essa última palavra é essencial.  Para que um bem possa ser considerado não-escasso, não pode haver limites à sua reprodutibilidade.

O ar pode ser considerado um bem não-escasso?  Nem sempre, como você bem sabe caso já tenha ficado preso dentro de um elevador lotado.  E a água?  Também não.  Por isso o mercado de água engarrafada é tão grande.  Água e ar são como todas as outras coisas no mundo físico: sujeitos a limitações.  Por isso, têm de ser alocados.

Por outro lado, digamos que você ouça uma canção pegajosa como “Happy“.  Você pega o ritmo, memoriza a letra, canta o dia inteiro e ainda a compartilha com seus amigos.  Ao fazer isso, você não está subtraindo nada do original.  Da mesma maneira, você pode observar um quadro, se lembrar dele e reproduzi-lo.  O quadro original continua existindo normalmente.  Nada foi subtraído.  O mesmo vale para as ideias deste artigo.  Você pode pegá-las e reproduzi-las.  E eu não posso impedir você, a menos que eu agrida ou ameace agredir sua integridade física (que também é um bem escasso), ou peça para alguém fazer isso em meu lugar (o governo, por exemplo).

Em todos esses bens, a porção relativa às idéias é não-escassa, de modo que elas, as idéias, não precisam ser precificadas e não precisam ter dono para ser alocadas.

Deixando essa questão da propriedade intelectual de lado [leia tudo sobre o assunto aqui], socialistas parecem não conseguir entender nem mesmo o primeiro ponto: não há um Jardim do Éden na terra, em que tudo está disponível na mais ilimitada abundância.

Tudo o que a humanidade pode fazer é batalhar para fazer com que mais bens e serviços sejam continuamente criados, trabalhados, produzidos e ofertados para o maior número possível de pessoas.  E ela pode fazer isso por meio das transações comerciais que ocorrem sob um regime de divisão do trabalho, propriedade privada e livre formação de preços.  E sempre lembrado que é impossível haver livre formação de preços sem propriedade privada.  E, sem preços, não há alocação racional de recursos escassos.

Este arranjo é simplesmente o mercado.  E ele é baseado na noção de que deve haver propriedade privada sobre todas as coisas escassas — exatamente a característica que os socialistas querem banir.

E então eles olham para a Venezuela e pensam: minha nossa, parece que algo está dando errado! O que quer que seja, não pode ser o socialismo!

Mas quer saber?  O socialismo é sim a causa.  Ele é o problema.  E qual o problema do socialismo?  Ele não faz o mais mínimo sentido no mundo real.

Jeffrey Tucker

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