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O Erro no Termo Privatização

0 Comentários 31 agosto 2017

STTEPHEN KANITZ

Fenômeno Editorial, o livro Pirataria Tucana se esgotou no primeiro dia, vende mais do que o livro do Steve Jobs.

Trata da “privatização no Brasil, comandada pelo governo tucano, foi a maior roubalheira da história da república” e sobre a pechincha da venda da Vale.

A primeira falha do livro, é que a Telebras e a Vale não foram “privatizadas”.

Isto mesmo pessoal.

Elas já eram empresas privadas, 83% das ações pertenciam ao setor privado.

No caso da Telebras, 83% delas pertenciam a todos os brasileiros que compraram linhas telefônicas por R$ 10.000,00 a linha (a preço de hoje), e recebiam ações da Telebras ou Telesp em troca.

Portanto, a Telebras e Vale não foram “vendidas” pelos tucanos.

Somente 17% destas empresas é que foram vendidas, uma parcela pequena mas importante, o bloco de controle.

Algo que quero adiantar, eu e nenhum administrador teríamos feito. Falarei sobre isto no final.

Mas típico do Capitalismo de Estado, estes 83% não tinham direito a voto, não podiam impedir esta “privatização que não era”.

Este “bloco de controle” foi vendido a um preço 3 vezes superior ao preço de mercado, 3 vezes o preço de Bolsa na época, o preço das ações sem direito de voto.

Foi um excelente negócio para o governo, o que não deixa de ser uma roubalheira de outra espécie.

Ficar preocupado com propinas de R$ 20 milhões, escrever um livro que é obviamente um ataque ao Serra, a quem não morro de amores, e não ao PSDB, não justifica a fama que este livro está tendo. 

A verdade é que venderam a preço de ouro justamente porque eram os 17% que davam o controle. 

Por isto, alguns investidores estavam dispostos a pagar 3 vezes mais.

Controlar 100% de uma empresa com somente 17% vale muita coisa.

Portanto, estas afirmações de que venderam a Telebras por preço de banana não corresponde aos mais elementares fatos.

O resto, que tinha ações sem direito de voto, ficou a ver navios.

Por isto, nós administradores do Novo Mercado, lutamos e conseguimos novamente o Tag Along. O correto seria o povo brasileiro poder vender os seus 83% pelo mesmo preço. 

Hoje os tucanos, graças ao Tag Along, não poderiam fazer este truque com o povo brasileiro. Daniel Dantas não poderia ter comprado colocando somente 1% do dinheiro dele. Teria que comprar os 83% restantes.

Mas verdadeira roubalheira foi o Capitalismo de Estado cobrar cada linha telefônica R$ 10.000,00. Isto o livro não fala. 

Que os Tucanos são pancadas, não há a menor dúvida, usam o termo Privatização, quando deveriam usar Desestatização, frase muito mais defensável.

Como os R$ 10.000,00 eram pagos adiantadamente para que a Estatal pudesse levar uma linha de telefone até a sua casa, e como boa parte deste dinheiro sumiu, a Telebras não tinha mais como cumprir seus contratos, e decidiram se livrar do abacaxi desestatizando.

Vender uma empresa ineficiente, quebrada, que devia um monte de linhas telefônicas as quais não tinha mais como entregar, não é dilapidar o patrimônio da União, nem roubalheira. 

Roubalheira foi cobrar 100 bilhões de reais do povo brasileiro para colocar 10 milhões de linhas.

O Capitalismo (semi) Democrático colocou 200 milhões de linhas por muito menos.

Fim da tese do livro.

Agora a verdadeira questão é essa. 

Por que o Estado vendeu 83% das ações na surdina?

E, por que jornalistas ficaram quietos quando estes 83% foram vendidos? Porque este livro não foi escrito naquela época.

Por que só chiaram quando os 17% foram vendidos?

Ninguém chiou quando 83% destas empresas foram “privatizadas”, vendendo ações sem direito a voto?

Todos compraram seus telefones por R$ 10.000,00, e portanto sabiam que eram sócios privados da Telebras.

Se o Brasil tivesse na mão de administradores na época nós não teríamos vendido os 17% do bloco de controle.

Nós teríamos dado o direito de voto aos 83% de acionistas da empresa, pondo fim à ditadura do Capitalismo de Estado.

Os 83% teriam contratado administradores profissionais brasileiros, a Telebras seria hoje uma empresa nacional, e o governo teria o benefício da melhoria de eficiência e valorização dos seus 17%.

Estado seria o maior acionista e teria assento no conselho, mas a administração seria eficiente, sem indicações políticas.

Das 10 milhões de linhas telefônicas passaríamos às 200 milhões que temos hoje, mas teríamos ainda uma empresa brasileira, forte, não pulverizada, de classe mundial.  

 

*Stephen Charles Kanitz 

é um consultor de empresas e conferencista brasileiro, 

mestre em Administração de Empresas da Harvard Business School e 

bacharel em Contabilidade pela Universidade de São Paulo.Wikipédia

Nasceu em 31 de janeiro de 1946 (71 anos), São Paulo, São Paulo

Formação: Harvard Business School

Livros: O Brasil que dá certo: o novo ciclo de crescimento, 1994-2005,mais

 

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