Ricardo Bergamini

“masturbação mental ideológica”

0 Comentários 22 julho 2017

Prezados Senhores

Pesquisem na internet e os senhores vão verificar que 99,99% dos debates estão relacionados à “masturbação mental ideológica”,

assim sendo informações com números, gráficos e tabelas tem como destino a lixeira, assim sendo todos os governantes de plantão sempre acusam, aos poucos que divulgam os números oficiais dos órgãos técnicos do próprio governo, como sendo “arautos do desastre”.

Segue resumo dos números oficiais do governo brasileiro citados no magistral artigo da jornalista Ruth de Aquino.

 

Cargos em Comissão da União – DAS – Fonte MP

Base: Ano de 2016

 

Boletim Estatístico de Pessoal – Seção 5

Anos 2002 2010 2016
Quantitativo 87.305 107.956 115.002

 

Despesas de Custeio Administrativo da União – Fonte MP

Base: 2011/2016

Base R$ Bilhões

 

2011

% PIB 2016

% PIB

Serviço de Apoio 10,0 0,23 14,9 0,24
Material de Consumo 4,4 0,10 4,9 0,08
Comunicação e Processamento de Dados 4,0 0,09 4,0 0,06
Locação e Conservação de Bens Imóveis 2,4 0,05 2,9 0,05
Energia Elétrica e Água 1,6 0,04 2,7 0,04
Locação e Conservação de Bens Móveis 1,3 0,03 2,0 0,03
Diárias e Passagens 1,3 0,03 1,7 0,03
Outros Serviços 1,4 0,03 2,2 0,03
Total 26,4 0,60 35,3 0,56

PIB 2011 – R$ 4.376,4 bilhões; PIB 2016 – R$ 6.266,9 bilhões.

 

Gastos com Pessoal do Congresso Nacional

Ricardo Bergamini

Na história do Brasil a nação sempre foi refém dos seus servidores públicos (trabalhadores de primeira classe), com os seus direitos adquiridos intocáveis, estabilidade de emprego e licença prêmio sem critério de mérito, longas greves remuneradas, acionamento judicial sem perda de emprego, regime próprio de aposentadoria (não usam o INSS), planos de saúde (não usam o SUS), dentre muitos outros privilégios impensáveis para os trabalhadores de segunda classe (empresas privadas). Com certeza nenhum desses trabalhadores de primeira classe concedem aos seus empregados os mesmos direitos imorais.

O Congresso Nacional é constituído por 513 deputados federais e 81 senadores e para atenderem a esses 594 senhores, segundo o ministério do planejamento, em dezembro de 2016 existiam 24.373 servidores ativos que custaram R$ 5,3 bilhões. Considerando também os 11.160 servidores inativos que custaram R$ 3,9 bilhões o custo total com essa imoral e criminosa usina de gastos públicos foi de R$ 9,2 bilhões.

Transferindo essa usina de gastos públicos para 26 estados, DF e 5.570 municípios chegarão à conclusão que somente os ingênuos acreditam em ajuste fiscal no poder público brasileiro.

Quantitativo de Servidores Federais da União (Ativos, Aposentados e Pensionistas) – Fonte MP

Base: Ano de 2016

No período dos governos Lula e Dilma/Temer (2003/2016) houve um crescimento de pessoal na União (Executivo, Legislativo e Judiciário) de 313.420 servidores.

 

O arauto do desastre

Por que sustentamos calados um Estado inchado e ineficiente que mete a mão no nosso bolso?

 

RUTH DE AQUINO

21/07/2017 – 19h16 – Atualizado 21/07/2017 19h22

“Estamos tratando com seriedade o dinheiro do pagador de impostos, disse o presidente Michel Temer ao anunciar o temível aumento de imposto que nos empobrecerá ainda mais. “São tantos feitos administrativos que a garganta acaba falhando”, afirmou Temer, emocionado consigo próprio. Criticou “os arautos do desastre”, que são todos aqueles que não vivem em sua ilha da fantasia. O impacto na bomba de gasolina é a pauta-bomba da semana.

Quando vejo a nova versão confiante de Temer, esculpida na compra explícita de apoio no Congresso para se manter presidente e longe do alcance da Justiça, eu me pergunto se a doença do cinismo é incurável e hereditária no Brasil. Passa de partido a partido, de governo a governo, sem pedido de desculpas. Convivemos com escaramuças fiscais, jurídicas e linguísticas, com promessas descumpridas. E, agora, escutamos novidades velhas. Um exercício de marketing desesperado. Os R$ 344,3 milhões prometidos para a saúde bucal deveriam ser “realocados” para a saúde mental dos governantes brasileiros. Eles descolaram da realidade.

Lembro ao leitor, perdido na guerra dos números e dos gráficos: a meta do governo Temer é um déficit de R$ 139 bilhões. Como fazer o povo entender isso? Qualquer pessoa honesta se deprime com o nome sujo na praça, ao não conseguir pagar uma conta. Mas Temer continua a rir depois de pagar R$ 1,8 bilhão pela cumplicidade de parlamentares na forma de emendas. O aumento do imposto na gasolina, etanol e diesel – e a alta resultante no transporte e nos alimentos – são nosso sacrifício para ajudar Temer a cumprir sua meta deficitária. O aumento não cobrirá o rombo extra do rombo original. O que ainda virá por aí? Provavelmente a CPMF.

Temer e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, esperam boa vontade, solidariedade, compreensão. Esperam que o cidadão, assaltado por bandidos cotidianamente, também aceite ser assaltado por um Estado inchado, ineficiente, incapaz. O governo é o grande “arauto do desastre”. Temer pede aos bobos da Corte que tenham “o que é muito comum nos brasileiros, o otimismo extraordinário”. O senhor não tem lido as pesquisas, presidente. O que existe hoje é um “pessimismo extraordinário”, com base na realidade.

A vida das famílias dos ministros, senadores e deputados não mudou com a crise econômica. Todos recebem em dia não só os salários, mas as mordomias. A vida melhorou para todos os que receberam benesses para suas emendas, quando Temer abriu o cofre público para comprar consciências e se garantir no Palácio do Jaburu, com seu misturador de vozes em ação.

A Fiesp, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, publicou anúncio intitulado “O que é isso, ministro? Mais impostos?”. O texto sublinha os motivos do pessimismo brasileiro. “Aumento de imposto recai sobre a sociedade, que já está sufocada, com 14 milhões de desempregados, falta de crédito e sem condições gerais de consumo. Todos sabem que o caminho correto é cortar gastos, aumentar a eficiência e reduzir o desperdício.”

O Brasil é um país esquizofrênico. Enquanto no estado do Rio de Janeiro tem servidor na fila para pegar cesta básica porque não recebeu o 13º de 2016, nem maio nem junho, o governo Temer aumentou em R$ 12 bilhões seus gastos com pessoal, 11,8% acima da inflação. Chega de pagar o pato.

Há uma palavra, entre tantos clichês da macroeconomia, que me dá calafrios. É o “contingenciamento”. Dos gastos do governo, 90% são obrigatórios. As obrigações deveriam mudar, para o Brasil ser mais justo. Meirelles afirma ser favorável ao corte de gastos, “mas a máquina pública tem de funcionar”. A máquina pública não funciona, ministro!

Vários órgãos do governo, entre eles a Câmara dos Deputados, estouraram o teto de gastos. Temos cerca de 30 ministérios com quase 100 mil cargos de confiança e comissionados. Pagamos aluguéis, passagens, diárias, saúde, beleza e educação dos poderosos. O funcionamento da Câmara e do Senado custa R$ 28 milhões por dia, mais de R$ 1 milhão por hora, informa a ONG Contas Abertas, do economista Gil Castello Branco. Por que pagamos viagens de Dilma Rousseff e outros ex-presidentes? Dilma gastou R$ 520 mil neste ano em viagens para contestar o impeachment. Nós gastamos. Lula, Collor, Fernando Henrique Cardoso, Sarney também têm suas viagens financiadas pelo povo.

Por que sustentamos calados um Estado que mete a mão no nosso bolso sempre que está em apuros e que continua inchado, ineficiente e incapaz? As autoridades ainda riem nas fotos, como o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, que não sabe de nada, inocente, por estar desligado num spa de luxo. É absurdo, escandaloso. Nessa guerra de tronos, enredo e atores precisam mudar.

Ricardo Bergamini
(48) 99636-7322- (48) 99976-6974
ricardobergamini@ricardobergamini.com.br
www.ricardobergamini.com.br

 

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