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Mais um ano novo se aproxima

0 Comentários 21 setembro 2017

Floriano Pesaro

Os sons do shofar ressoam pela ruas e invadem as casas dos judeus. As ruas se enchem com famílias de muitos filhos, todos vestidos solenemente para estes dias sagrados. Roupas novas fazem parte deste ritual de alegria e solenidade.

Mulheres em casa se esmeram freneticamente para preparar as mesas fartas com os alimentos característicos das festas. Homens com seus filhos carregando seus talitim até as sinagogas. A comunidade se mostra inteira e orgulhosa para comemorar as datas mais sagradas de seu calendário.

Antes disso tudo, já a partir do começo do mês de Elul, o shofar é tocado diariamente como um som de despertar, lembrando-nos da proximidade das datas e de nosso dever de fazer nossa anual contabilidade da alma.

Como é sábia esta nossa tradição, criando este período de um acerto de contas entre o ser humano consigo mesmo, entre o ser humano e o outro e entre o ser humano e o Divino. Este exercício nos permite avaliar o quanto de nossos propósitos foram realmente cumpridos.

Será que conseguimos ser as pessoas que nos propusemos a ser? Será que nossas ações foram condizentes com o que pensamos em termos de integridade, de generosidade e de tolerância?

Infelizmente, durante a avalanche que são nossas rotinas e nossas agendas, acabamos por empurrar para o lado nossos princípios e nossos compromissos assumidos nos momentos mais solenes.

Este mês de Elul nos permite examinar e avaliar tudo isso e nos deixa um pouco mais sábios sobre nós mesmos, fazendo com que sejamos plenamente honestos e que busquemos ser os seres humanos mais decentes que podemos ser.

Então, Rosh Hashaná bate à nossa porta.

Além de ser o aniversário da Criação do Mundo, Rosh Hashaná enfatiza nosso contato com Deus. Diz a religião judaica que, em Rosh Hashaná, Deus abre o Livro da Vida para escrever nele o destino de seu povo.

Cada um de nós então repassa sua vida e escolhe se conscientizar de seus passos errados e, no meio de todos os preparativos, fazer um “mea culpa“, e procurar os caminhos que o judaísmo nos propõe para que revertamos um destino que não desejamos.

Uma outra linda tradição de Rosh Hashaná é a cerimônia do tashlich. A comunidade se reúne às margens de rios, regatos e todas as correntes de água e, num ritual interessante, joga migalhas de pão que guardaram em seus bolsos, numa analogia dos pecados de quais querem se livrar. As águas correntes então afastam aquelas pequenos pedaços de pão, como possibilitando um novo começo.

Os Dez Dias de Rosh Hashaná a Iom Kipur, chamados Iamim HaNoraim, ou Dias Intensos, exigem de nós, um esforço intenso que consiste do verdadeiro arrependimento dos nossos erros, do pedido de perdão para as pessoas que magoamos, para nós mesmos e para Deus. Então, vivemos o mais profundo dia do judaísmo. É o Iom Kipur, Dia do Perdão.

Colocamo-nos diante de Deus, humildes, cada um de seu modo, e buscamos as mais íntimas conexões divinas, para mostrar a nossa fé e nossa confiança em ter esta nova oportunidade de sermos mais ativos em nosso compromisso, de sermos melhores a cada dia.

O milagre de Iom Kipur também é perceber que quase todo judeu, mesmo aquele que se considera a pessoa mais secular da comunidade, sente o chamado e a profundidade da data e comparece para encher todas as casas de orações.

A sensação espiritual de ouvir as milhões de vozes se dirigindo a Deus em conjunto, como se um só brado subisse da Terra aos céus, é um dos momentos mais potentes de nosso judaísmo.

Após o último toque do shofar, a alegria invade todos estes recintos sagrados e saímos todos renovados e prontos para uma nova etapa em nossas vidas, mais comprometidas com a justiça no mundo.

Então, as casas assumem novamente seu protagonismo e todos, alegres e aliviados após mais de 24 horas de jejum, atacam as deliciosas guloseimas preparadas para a quebra do jejum.

A riqueza destes rituais e destas conexões divinas são inesquecíveis na memória de todo judeu, durante toda a sua vida.

Shaná Tová u Metuká
Gmar Chatimá Tová

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