tibério sá maia

liberdade alvissareira

0 Comentários 17 julho 2017

tsmaia*

Vc se comparou a um passarinho que passou a ser livre.
Portanto, resolveu aproveitar a sua nova liberdade infinda.
E a voar por todas as árvores do caminho e pelos ares imensos, limpos conforme a sua escolha. Fiquei pensando então no animalzinho que mantinha preso, na pequena gaiola que limitava o seu mundo a que seria destinado.

Ora, sou de família afeita à criação de animais domésticos que viviam em torno da nossa casa alpendrada que chamada atenção pelo seu isolamento e por ser a mais vistosa, de uma cidade tranquila, no sertão inclemente do estado do meu Ceará. Lembro-me dos alvos marrecos de Pequim, no final das tardes, desengonçados, mas, organizados, em fila indiana, caminhando lépidos para o galinheiro onde se recolhiam para passar à noite. Da meia dúzia de carneiros malhados, da vaca Rainha e do garrote Esperto. Havia pombos e um tatu peba. Sete ou oitos porcos piaus e as galinhas da Angola que faziam festa, na hora lhes atiravam a ração. Lembro-me do comentário oportuno de que se mantinham os animais livres em torno da horta totalmente cercada. Sim, nenhum mantido preso. Todos livres…

Não obstante, o periquito australiano azulzinho de cabeça branca foi mantido fechado, por mim e preservado para minha neta que o recebeu de presente. Na impossibilidade dela de criá-lo fiquei encarregado de mantê-lo durante esse tempo imenso, colocando diariamente as sementes, nas gavetas da sua prisão, com que se alimentava, trocando a água que lhe saciava a sede. Quantas e quantas vezes tive que limpar o seu recinto. Nas noites frias recolhia a gaiola e em canto mais abafado e a cobria como um tapete para o manter aquecido. Essa dedicação durou quatro anos e por causa dela a afeição que passei a cultivar pela pequenina ave cresceu demais.

Pois bem, seu grito de liberdade me contagiou, pois me despertou para que reprovasse o aprisionamento a que estava mantendo esse pequeno animal, por tão longo tempo, diferentemente da minha tradição ou do que estava acostumado a lidar. Muito dessemelhante da educação que meus pais me deram.

Nem a assídua frequência a reuniões que proclamavam o amor pela liberdade humana e pela fraternidade dos seres me demoveu a tomar essa atitude arrojada de cumprimento de um dever.

Por causa da sua manifestação tomei a decisão de manter aberta a diminuta prisão, mas me cansei de esperar que o passarinho tomasse o rumo que bem entendesse. Parece até que preferiu a liberdade, para mim, alvissareira, pois nunca lhe tirei nenhuma das fortes penas de suas asas lindas, de se manter junto comigo, indeterminadamente.

 

*tsmaia é nosso colaborador

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