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A Felicidade vem da Monotonia

0 Comentários 13 abril 2017

Fernando Pessoa, in ‘Reflexões Pessoais’

Em sua essência a vida é monótona.

A felicidade consiste, pois numa adaptação razoavelmente exata à monotonia da vida.

Tornarmo-nos monótonos é tornarmo-nos iguais à vida; é, em suma, viver plenamente.

E viver plenamente é ser feliz.

Os ilógicos doentes riem – de mau grado, no fundo – da felicidade burguesa, da monotonia da vida do burguês que vive em regularidade quotidiana e, da mulher dele que se entretém no arranjo da casa e se distrai nas minúcias de cuidar dos filhos e fala dos vizinhos e dos conhecidos.

Isto, porém, é que é a felicidade.

Parece, a princípio, que as coisas novas é que devem dar prazer ao espírito; mas as coisas novas são poucas e cada uma delas é nova só uma vez.

Depois, a sensibilidade é limitada, e não vibra indefinidamente.

Um excesso de coisas novas acabará por cansar, porque não há sensibilidade para acompanhar os estímulos dela.

Conformar-se com a monotonia é achar tudo novo sempre.

A visão burguesa da vida é a visão científica; porque, com efeito, tudo é sempre novo, e antes de este hoje nunca houve este hoje.

É claro que ele não diria nada disto.

Às minhas observações, limita-se a sorrir; e é o seu sorriso que me traz, pormenorizadas, as considerações que deixo escritas, por meditação dos pósteros.

 

 

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